Tendo tido experiências
de profundo bhava, as quais são também tântricas, recebi de Krishna a
orientação que me faz escrever este artigo.
Baseada no desenrolar de
uma relação com a Pessoa de Deus que manifestou o Shiva Tantra para a
Libertação Espiritual, vem ao mundo a presente descrição. Ela se refere ao que
muitas almas gostariam de alcançar e as gopis em desespero querem atingir na
eternidade da sua (nossa) relação com Madhava.
Tantra é acima de tudo a
união perfeita entre o masculino e o feminino e entre a expressão que se
expande na horizontal (linear material) e a que se transfere às impressões na
vertical (espiritual).
É assim que consigo
descrevê-las para a mente linear que vive nesta época planetária.
Viver uma relação
tântrica com Krishna tem como ápice a pureza do bhava (humor associado a um
certo tipo de intimidade). Na prática da vida cotidiana isso também significa
trazer para o mundo externo o que Ele quer a partir das interações cocriativas
que se estabelecem como parte de tal relação.
Ela é um misto de:
a) eventos completamente
espirituais;
b) acontecimentos com
visível significado transcendental que acontecem aqui na materialidade;
c) fatos daqui deste
mundo que são sublimados através do contato que temos com Keshava.
Na tentativa de propor
algumas caracterizações deste Tantra, faço uso de trechos já descritos no livro
supracitado. No entanto, procuro adequá-los à maneira específica de estar e ser
ao lado de Deus quando Ele se faz claramente perceptível como Krishna.
Autorrealização
Espiritual
No Tantra “o que
existe é a realização dentro de si do que é essência masculina e, portanto, da
fagulha de Shiva, a qual lhe faz ser existente. Ademais, tal realização se
completa quando, ainda no íntimo da pessoa humana, à fagulha de Shakti se
realiza, sendo ela a porção de essência feminina que, na interação com a masculina,
concede vida e movimento para o ser individual (Shiva Tantra 1.16)”.
Em Krishna Tantra, o
Paramatma tem este humor (de Krishna) e pode-se começar a conhece-Lo através de
escrituras indianas, como o Décimo Canto do Srimad Bhagavatam, o Bhagavad-Gita
e o Mahabharata.
Mas, para aprofundar-se
em tal contato de conhecimento, só mesmo através de um processo espiritual que
envolva depuração dos anarthas - imperfeições típicas das interações com o
mundo material – e ascensão às dimensões superiores da consciência.
Então, por meio de
humilde conduta, sob a orientação de quem já chegou aonde se quer chegar – o(a)
mestre espiritual que vive em bhava de Amor profundo – pode-se realizar a
fagulha de um aspecto de Deus, Radha Krishna dentro do coração.
Unidade
Interno-Externa
Deste ponto em diante, “o
corpo não é visto como obstáculo para a elevação da consciência, mas como uma
oportunidade de apreensão da verdadeira natureza do ser (Shiva Tantra 1.16)”.
Com isso quer-se referir
a que este corpo material nos dá oportunidade de existirmos a fim de
realizarmos a Deus através da existência nele.
Ao alcançarmos à
perfeição tântrica na relação com Krishna, experimentamos de sensações
corporais físicas do contato com Ele. Mas, isso só acontece quando o bhava se
intensificou tanto que o corpo material está imerso no campo vibratório do
corpo transcendental (o siddha deha).
Muitos praticantes de
Tantra buscam por tais sensações, mas sem a devida articulação com a Pessoa de
Deus.
Acho difícil conseguir
ter acesso à experiência como a conheço a partir do que me vem sendo mostrado
sem que se tenha realizado à Consciência Absoluta. De qualquer forma, não quero
duvidar de outras verdades.
Apenas divulgo o que
conheço eu mesma e o que conheço não resulta na fusão mística que causa
dissolução da individualidade da alma.
Meu jeito de praticar a
tântrica relação com Krishna é como descrevi no Shiva Tantra de Bhagavan (a
Pessoa de Deus), ou seja, trata-se da vivência da “União entre Shiva e Shakti”
ou Radha Krishna (para quem prefere esta forma do Divino Casal).
Trata-se da “união entre
a matéria e o espírito ou a forma e a consciência, o que só é possível de
realizar através da união entre a alma e sua Fonte”. No entanto, esta união é e
ao mesmo tempo não é uma fusão completa, pois sendo Ele uma Pessoa, nos
relacionamos enquanto pessoas na Sua eterna lila (o passatempo transcendental).
Cenas descritas nas
escrituras se tornam íntimas de nós juntos dEle, além de existir uma realidade
paralela à realidade material e linear deste mundo, na qual nos tornamos
conscientes da relação com Ele enquanto ainda existe um corpo material aqui.
Conclusão
Para viver este tipo de
experiência com Deus é preciso compreender que Ele não é apenas uma energia sem
forma. Sei o quão difícil é para a pessoa desta época entender como pode isso
ser verdade.
Mas, sei também ser
possível sair de um estado de não conhecimento da natureza divina dEle e de nós
mesmos para adentrar em um estado de mais felicidade e liberdade típico da alma
que se sabe eterna.
Saber-se eterna não
significa apenas conhecer esta perspectiva na teoria. De teorias este mundo
está cheio.
Compreendemo-nos
eternamente quando vivenciamos o significado prático da eternidade. O Tantra de
Krishna ensina a vida a partir de outra perspectiva, diferente da qual a
maioria está acostumado a experimentar.
Resta abrir-se para esta
outra verdade, sem precisar de nenhum tipo de fanatismo religioso e de aversão
para com outras formas de religiosidade. Até porque em estado de tântrica união
com a Pessoa de Deus, a vemos em tudo e compreendemos o porquê da diversidade
que existe por trás das múltiplas expressões da cultura humana.
Viver em tântrica união
com Ele é acima de tudo liberdade de qualquer opressão da mente e do coração.
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