sábado, 15 de março de 2025

Apresentação Geral





Madhurya é a vida se expressando como fluência amorosa, doce e linda. Ela é como a beleza da flor que exala a fragrância perfeita; e a paisagem mais bela que se possa conceber.


Trata-se de um jeito de estar em todos os mundos em que Krishna esteja ao mesmo tempo, pois transcende as fronteiras deles.

Desde que haja Krishna, então há tudo o que é preciso para existir tal bhava. Ele é o eixo da existência e o centro das atenções na doçura do amor. É o amado eterno e Senhor de tudo o que se possa pensar, sentir e ver.

Madhurya faz o mundo girar em torno dEle, sendo Ele a Fonte e também o Fim do que se quer para sempre ser.

Quem descobre-se amando à Pessoa de Deus assim, já não poderá mais conter o sentimento que exaure todos os sentidos, quando eles só pretendem servir ao Amor que por Madhava se sente.


Que amor é este, então?

Um amor assim tão grande, que nada pode vencer, é a verdadeira experiência de vida. Ele é puro, isento de máculas. Perfeito e intenso, este amor é a vitória maior a se conquistar.

Quem o desconhece não tem como atinar para o seu significado. Mas, ao vivenciá-lo, nada mais há que se desejar, exceto a Krishna se entregar.

Este amor está nas escrituras mais sagradas, as quais descrevem o que as gopis sentem pelo seu Amado. É este sentimento que as esposas de Shri Hari expressam, quando absortas nEle

"permaneciam sem fala alguns instantes”, para então, repentinamente “irromperem em palavras incoerentes de modo semelhante a lunáticas. Na intensidade do seu amor, elas (de tempos em tempos, experimentavam dor excruciante de separação do seu Senhor, mesmo na Sua presença e) paravam com suas falas delirantes (Srimad-Bhagavatam 10.90.14)”.

Só quem experimenta de madhurya-rasa sabe exatamente do que se trata tal excruciante dor que as esposas sentem ao pensarem em se separar de Krishna.

Afinal, o amor conjugal pelo Senhor da vida (Deus) transcende qualquer limite. Logo, não existem limitações ao desejo de se querer estar ao lado dEle; o que acontece por ser a Pessoa Suprema que pensa estar relacionando-se com quem percebe-se relacionar-se desta maneira com Ele.

Krishna não pode ser circunscrito por nenhum tipo de fronteira, mesmo que seja do pensamento. Sendo a Absoluta Personalidade, Ele é o infinito e Suas relações transbordam perfeição e beleza.

Quem tem este tipo de experiência, no bhava de Madhurya, vive em uma condição que é também infinita. Sendo tal vivência tão perfeita, pura, doce, delicada e intensa, a contraparte de Shri Hari se deixa levar por este imenso “buraco negro” que Ele é (do qual é impossível escapar).



Os textos e poesias deste blog foram redigidos por Shri Krishna Madhurya, como expressão do seu amor conjugal por Krishna. Conheça também https://shankarayanamah.blogspot.com/ e https://jardinsdekrishna.com.  

Minhas Expressões Poéticas


 

Sumário do Livro Madhurya, a Rasa da Doçura

 

Neste resumo, apresentamos comentários e descrições da minha própria poesia que faz parte do livro. Especificamente, há comentários sobre “Saciando-me com Prema”, “Rio de Amor e Devoção”, “Amor por Krishna” e “Vipralambha (Separação sem Estar Separado)”.

Em “Saciando-me com Prema (Amor Puro por Deus)”, exprimo as inúmeras impressões do amor de Keshava que me dominam. Esse amor é ilimitado e inesperado, onde a alma, presa a apegos transitórios, não pode compreender totalmente a profundidade de prema-bhakti. Só nestes estados (de prema) é que a alma desperta para a sua relação eterna com o Senhor, compreendendo que, em madhura-rasa, a atenção de Shri Krishna traz um prazer transcendental infinito. 

Ele preenche a vida num instante, sem princípio nem fim, mergulhando-me na Consciência Superior que a tudo contém. Então a alma experimenta uma atração infinita por Ele, a fonte de toda a existência.

Em “Rio de Amor e Devoção”, descrevo que a minha relação com Shri Hari flui como um rio ardente. A alma afoga-se nas suas águas, e a importância da vida mortal desvanece-se, deixando apenas o desejo de permanecer neste turbilhão divino, cheio de amor e bem-aventurança. 

Esta relação sustenta-me, transporta-me para além do tempo, dissolvendo o meu eu mortal. Cresce infinitamente, sem limites, independente do tempo e do lugar. Preenche-me com uma plenitude eterna, tornando-me consciente da presença de Krishna em todos os aspectos da minha vida. Ele faz-me sentir o que não pode ser compreendido pelo raciocínio comum - emoções infinitas e sempre profundas através de passatempos transcendentais. 

O Seu amor é a essência da minha existência, expandindo-se do meu coração, irradiando para o mundo e preenchendo cada experiência com satisfação. Esta Relação Conjugal com Shri Hari está em todo o lado - na natureza, nas estrelas e em todos os seres vivos. Ela é eterna, indestrutível e inalienável, unindo a forma à consciência. 

Em “Saciando-me com Prema” também descrevo Krishna como a pura Luz que ilumina a consciência. Relato que Suas formas de se revelar à alma nunca podem ser totalmente capturadas em palavras ou imagens. Só o contato direto, através da visão divina, permite ver a beleza infinita da Pessoa Suprema. 

O que vejo, portanto, quando estou com Krishna é tudo o que quero ver. O meu coração agarra-se a cada pensamento sobre Ele, e choro com o desejo de partir para a Sua morada eterna. No entanto, enquanto vivo neste mundo contraditório, procuro-O em tudo o que faço, implorando-Lhe que fique sempre por perto.

Em “Amor por Krishna”, digo que nada me agrada mais do que amá-Lo, a Fonte de todo o Amor, e do que perder-me no Seu abraço.  Mas ainda bem que nada pode me impedir de O adorar - Ele é o objeto e o mecanismo da adoração. Ele contém-se a si próprio e a todos os que o amam. Também escrevo sobre o que me preenche em cada momento, quando Krishna me toca, aprofundando a nossa ligação de uma forma que só a nós pertence. 

Através desta poesia, exprimo que estar com Krishna é estar com Deus na Sua Personalidade Absoluta. Ele revela infinitas dimensões de Si mesmo, contendo cada interação. E confesso que ninguém precisa me perguntar como eu sei que é com Ele que estou me relacionando, pois Ele me abraça em momentos de êxtase e torpor. Afinal, a minha experiência com Krishna é eterna. A eternidade da minha ligação com Ele leva-me a pensar, sentir e expressar a perda de mim mesma na Sua (minha) madhurya, mergulhando nas suas profundezas serenas e incondicionais, onde não resta mais nenhuma necessidade. 

Krishna é tudo, e nada me falta. Ele move o mundo, e eu vivo apenas para servi-Lo, recebendo e retribuindo Seu amor sem fim. Compartilho essas palavras com aqueles que anseiam por entender, esperando que eles também possam provar esse néctar divino. 

O Senhor é a origem, o destino e o doador do amor infinito. Seus nomes me inspiram a nunca desistir, pois encontrá-Lo repetidas vezes pôs fim à minha separação. A distância acabou, e a vida se iluminou. 

“Eu pertenço a Você para sempre, meu Senhor”. 

Ao experimentar sharanagati completo, não consigo deixar de pensar em Krishna todos os dias, em todas as situações. O tempo e as circunstâncias se esvaem, mas meu amor permanece. 

Depois, em “Vipralambha (Separação Sem Estar Separada)”, expresso o imenso vazio que isso cria. A distância aumenta a saudade, e o mundo perde o sentido. Sei que Krishna está em tudo, mas a alma, obscurecida pela ilusão, se esquece de Sua presença.  É por isso que viver neste mundo significa estar cercada por pessoas distantes Dele, mas somente Ele pode libertar cada alma da confusão e purificar o coração. Não me importo com mais nada e só desejo encontrar Krishna, implorando para que Ele não me deixe outra escolha a não ser Ele mesmo - mesmo que isso signifique renunciar a caminhos mais fáceis. 

O amor que sinto é incomparável, indescritível e impossível de sustentar por qualquer coisa que não seja Krishna. Não consigo esquecê-Lo, nem desejo esquecê-Lo. Eu me rendo às emoções que dominam meu coração, desejando cada vez mais impressões dEle. Esses sentimentos pertencem a uma época em que eu lutava para perceber Krishna em meio à vida material, mas agora minha percepção se expandiu para vê-Lo em todas as coisas. 

 

Perguntas/Respostas

Diálogo Entre V d e Guru Ma Shri

 

1. GuruMa, no verdadeiro Sharnagati, os devotos puros não se preocupam com o bhava em que o Senhor os aceita, mas eu realmente desejo que Krishna me aceite no estado de consorte. Embora eu saiba que qualquer relacionamento com Ele será completamente gratificante. O que devo fazer? Devo parar de desejar um bhava específico com Krishna?

Pode desejar no seu íntimo, abrindo seu coração, no entanto, para as experiências que fluírem para você, a partir da vontade de Krishna. Na medida em que for se libertando das teias da ilusão material, as experiências transcendentais se tornarão mais evidentes. Sua liberdade em expansão a direcionará para o bhava eterno que lhe pertence e não duvidará mais da fidedignidade e profundidade dele.

 

2. GuruMa, você me disse que dá o mantra Gopi Bhava apenas no sanyaas diksha. Eu não sei se isso será possível para mim, mas eu queria saber se aqueles que não tomam sanyaas e, portanto, não recebem o Gopi Bhava Mantra, ainda podem obter siddha Gopi deha e bhava nesta vida ou depois de deixarem seu corpo e estarem com Krishna como Sua consorte?

Obter o siddha deha é fruto da misericórdia de Krishna, nessa vida ou após deixar o corpo. Isso pode acontecer através do(a) Guru (Ma) ou não. No caso das minhas iniciações, o mantra de Madhurya Bhava só pode ser obtido através de sanyaas diksha, mas isso não impede que experiências puras anteriores ao mantra possam se expressar na triangulação entre Krishna, o(a) discípulo(a) e eu mesma (enquanto Guru Ma). Quanto a estar com Krishna como Sua consorte, nem todos terão tal experiência, pois na lila divina existem diferentes maneiras de se relacionar com Ele, que não sejam conjugais.

My Poetic Expressions

 


Summary from the Book Madhurya, the Rasa of Sweetness

 

In this summary, we present comments and descriptions of my own poetry that is part of the book. Specifically, there are comments on “Satiating Me with Prema”, "River of Love and Devotion", "Love for Krishna" and "Vipralambha (Separation without Being Separated)".

In "Satiating Me with Prema (Pure Love for God)," I express the countless impressions of Keshava’s love that overwhelm me. This love is limitless and unexpected, where the soul, bound by transient attachments, cannot fully comprehend the depth of prema-bhakti. Only in these states does the soul awaken to its eternal relationship with the Lord, realizing that in madhura-rasa, Shri Krishna’s attention brings infinite transcendental pleasure.  

He fills life in an instant without beginning or end, immersing me in Higher Consciousness that contains everything. The soul then experiences an infinite attraction to Him, the source of all existence.

In "River of Love and Devotion", I describe that my relationship with Shri Hari flows like a blazing river. The soul drowns in its waters, and the importance of mortal life fades, leaving only the desire to remain in this divine whirlwind, full of love and bliss.  

This relationship sustains me, carrying me beyond time, dissolving my mortal self. It grows infinitely, without limits, independent of time and place. It fills me with everlasting fullness, making me aware of Krishna’s presence in every aspect of my life. He makes me feel what cannot be grasped by common reasoning — endless, ever-deepening emotions through transcendental pastimes.  

His love is the essence of my existence, expanding from my heart, radiating into the world, and filling every experience with satisfaction. This Conjugal Relationship with Shri Hari is everywhere — in nature, the stars, and every living being. It is eternal, indestructible, and inalienable, uniting form with consciousness.  

In "Satiating Me with Prema," I also describe Krishna as the pure Light that illuminates consciousness. I report that His ways of revealing Himself to the soul can never be fully captured in words or images. Only direct contact, through divine vision, allows someone to see the infinite beauty of the Supreme Person.  

What I see, therefore, when I am with Krishna is all that I want to see. My heart clings to every thought of Him, and I cry with the longing to leave for His eternal abode. Yet, while living in this contradictory world, I search for Him in everything I do, begging Him to always stay nearby.

In "Love for Krishna", I say that nothing pleases me more than to love Him, the Source of all Love, and to lose myself in His embrace.  But it’s a good thing that nothing can stop me from adoring Him — He is the object and mechanism of worship. He contains Himself and everyone who loves Him. I also write about what fills me in every moment, as Krishna touches me, deepening our connection in ways that belong only to us.  

Through this poetry, I express that to be with Krishna is to be with God in His Absolute Personality. He reveals endless dimensions of Himself, containing every interaction. And I confess that no one needs to ask me how I know that it’s Him with whom I am relating myself, because He holds me in moments of ecstasy and torpor. Afterall, my experience with Krishna is eternal. The eternity of my bond with Him leads me to think, feel, and express the loss of myself in His (my) madhurya, diving into its serene, unconditional depths where no other need remains.  

Krishna is everything, and I lack nothing. He moves the world, and I live only to serve Him, receiving and reciprocating His endless love. I share these words with those who long to understand, hoping they too may taste this divine nectar.  

The Lord is the origin, the destination, and the giver of infinite love. His names inspire me never to let go, for meeting Him again and again has ended my separation. The distance is over, and life is illuminated.  

“I belong to You forever, my Lord”.  

While experiencing full sharanagati, I cannot help but think of Krishna every day, in every situation. Time and circumstances fade, but my love remains.  

Then, in "Vipralambha (Separation without Being Separated)", I express the immense void this creates. The distance heightens the longing, and the world loses meaning. I know Krishna is in everything, but the soul, clouded by illusion, forgets His presence.  

That’s why living in this world means being surrounded by those far from Him, yet He alone can free every soul from confusion and purify the heart. I care for nothing else and only wish to meet Krishna, pleading for Him to leave me no choice but Himself — even if it means giving up easier paths.  

The love I feel is unmatched, indescribable, and impossible to sustain for anything but Krishna. I cannot forget Him, nor do I wish to. I surrender to the emotions that overwhelm my heart, craving for more impressions of Him. These feelings belong to a time when I struggled to perceive Krishna amidst material life, but now my perception has expanded to see Him in all things.  


Questions/Answers

Dialogue Between V d and Guru Ma Shri

 

1. GuruMa in true Sharnagati the pure devotees do not worry in whatever bhava the Lord accepts them, but I really desire that Krishna accepts me in the mood of a consort. Though I know any relationship with Him will be completely fulfilling. What shall I do? Should I stop desiring a particular bhava with Krishna?

You can wish within yourself, opening your heart, however, to the experiences that flow to you from Krishna's will. As you free yourself from the webs of material illusion, transcendental experiences will become more evident. Your expanding freedom will direct you towards the eternal bhava that belongs to you, and you will no longer doubt its trustworthiness and depth.

 

2. GuruMa you told me that you give Gopi Bhava Mantra only in sanyaas diksha. I do not know whether that will be possible for me but I wanted to know for those who do not take sanyaas and hence do not get Gopi Bhava Mantra can they still get siddha Gopi deha and bhava in this life or after they leave their body and be with Krishna as His consort?

Getting siddha deha is the fruit of Krishna's mercy, in this life or after leaving the body. This can happen through the Guru (Ma) or not. In the case of my initiations, the Madhurya Bhava mantra can only be received through sanyaas diksha, but this doesn't prevent pure experiences prior to the mantra from being expressed in the triangulation between Krishna, the disciple and myself (as Guru Ma). Regarding being with Krishna as His consort, not everyone will have such an experience, because in the divine lila there are different ways of relating to Him, other than conjugal.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Ensinamentos de Shri Krishna

 


                                             Figure 1 - Krishna (by Pete Linforth).

Sumário do Livro Madhurya, a Rasa da Doçura

O Senhor deu-me a posição de fundadora e líder espiritual de uma expressão religiosa adicional para o mundo e intitulou-a de Religião Bhagavata da Nova Era (Neo Bhagavata). Escrevemos juntos o que é revelado neste lado do mundo sob a forma de livros e outros recursos.

Shri Krishna aborda esta religião como um novo caminho que pode ser oferecido sempre que o novo é merecido. Ele propõe novas fórmulas e implementa novos argumentos, mas todos eles existem para sempre. Ele deseja revelar o que ainda não foi revelado e, portanto, não deve haver contradições nas mentes daqueles a quem Ele dá esse conhecimento.

Esta nova expressão religiosa foi introduzida inicialmente como o Templo da Fé Neo Bhagavata, na cidade do Rio de Janeiro (Brasil). Como parte das atividades cotidianas do mesmo Templo, há as minhas interações diárias com o Senhor, das quais nasceu a necessidade de ensinar Rasa-tattva.

Propus uma leitura conjunta da obra Jaiva-dharma de Shrila Bhaktivinoda Thakura com Krishna. Esta obra está repleta de importantes realizações transcendentais, sendo um dos meus melhores guias literários. A leitura conjunta com Krishna ocorre através da interação da minha mente racional no mundo linear com a minha consciência transcendental que reciproca experiências com Ele.

Doze textos foram gerados a partir desse esforço.

Na introdução, Ele disse o seguinte: “Há uma ciência que pode ser desenvolvida sobre esta questão (rasa-tattva). Aqui quero aprofundá-la, a fim de proporcionar ao ser humano a oportunidade de Me encontrar através da sua própria compreensão. Isso facilitará à alma a apreensão do que a fará estar comigo”.

A intenção principal por trás da exibição de madhura-rasa-lila à Terra é tornar disponível para os seres humanos a oportunidade de realizar a Pessoa Suprema.

Em “Rasa-tattva, Princípios do Amor Divino”, um dos textos que escrevi com Ele, Shri Hari ensina que Radharani é a personificação da contraparte feminina do Amor Conjugal em sua mais plena perfeição e, a partir dEla, fluem todas as outras conformações do aspeto feminino com as quais Ele co-criou e articulou as múltiplas manifestações de madhura-rasa. Todas estas conformações estão n'Ela e pertencem-Lhe. Desta forma, Shri Radhe é completa e agrada plenamente a Krishna. Ele tem-Na como aquela que O satisfaz, articulando o amor com total perfeição.

Aquele que cultiva um profundo amor pelo Senhor, enquanto vive na realidade material, passa da materialidade do universo para a Sua morada eterna e essa transferência pode ocorrer mesmo enquanto se vive conscientemente, tendo um corpo físico no planeta, para os passatempos eternos. Eventos raros deste tipo são feitos apenas para manifestar algo desta relação e ficam registados para sempre na história espiritual da sociedade.

Há religiões e outras formas pelas quais o Senhor se manifesta. Para ser notado, o Senhor se expõe em diferentes bhavas, entre os quais madhurya é expresso através de muitos recursos: Shrimad Bhagavatam, a literatura devocional dos acharyas Brahma-Madhava-Gaudiya-Sampradaya, os hinos de Andal e os escritos poéticos de Mirabai.

Estou agora construindo uma parte do que meu Amado Consorte quer que eu realize enquanto permaneço associada ao campo da existência material. Ao mesmo tempo, estou com Ele em experiência transcendental.

Por meio desta Religião Bhagavata da Nova Era (Neo Bhagavata), Krishna ensina-nos a rever os nossos valores e a mudar as nossas opiniões sempre que isso for necessário para nos abrirmos a percepções profundas. Até Arjuna teve a necessidade de compreender que precisava se abrir para o que Krishna estava lhe oferecendo.

Keshava instruiu-o profundamente, o que está exposto no eterno e sempre contemporâneo Bhagavad-Gita. Num dos Seus ensinamentos, Madhava diz-nos que “o não cumprimento do dever prescrito leva a alma ao fracasso das suas interações com o que tem de realizar como parte do que representa na totalidade que a tudo contém, incluindo ela própria e as suas tarefas”.

Não fazer o que a pessoa precisa fazer é insatisfatório e torna a vida estéril e mal orientada. Portanto, estou apenas cumprindo com o meu dever, completamente apoiada pelo meu vishaya em madhurya bhava. O meu dever envolve as atividades que devo realizar como mestra da manifestação religiosa de Madhurya para a Nova Era. Estou deixando que Ele me guie. Tenho que ser capaz de ajudar os passos daqueles que desejam dar a si mesmos a oportunidade de obter conhecimento íntimo sobre os procedimentos desta nova religião. Isso é o que se exterioriza enquanto sirvo ao Senhor em prema-bhakti, completamente absorta na consciência transcendental.

Shri Krishna ensina que o sentimento de amor que Ele retribui à alma é tão intenso quanto a alma se permite cultivar e não há limites para que Ele se relacione com Seus devotos. O Senhor permite o acesso à Sua Morada Eterna sempre que, através da auto-realização, a alma supera as compreensões imperfeitas sobre a sua natureza.

Na Sua Morada Eterna, assumo a condição de consorte. Mas é importante mencionar que, para chegar à condição atual no relacionamento com Shri Hari, tive que passar por muitas fases diferentes. Nelas, vivi os sintomas caraterísticos de cada etapa, que Ele foi me dando aos poucos. Tais sintomas são chamados anubhavas. Krishna explica em Rasa-tattva que Bhava é o que aparece quando há algum tipo de interação. Pode ser mais ou menos profundo, variando de acordo com a maneira como Ele se expressa através da mesma relação. Manifesta-se sob a forma de sintomas e mudanças no carácter e no corpo da pessoa que tem o prazer de se relacionar com Ele.

As mudanças de caráter e sentimentos de cada novo momento que vivi até a escrita deste livro foram sendo traduzidas nas minhas expressões poéticas.

 

Perguntas/Respostas

Diálogo Entre V d e Guru Ma Shri

1. Diz-se muitas vezes que um devoto puro nem sequer deseja os 5 tipos de liberação - Salokya, Sampiya, Sarupya, Sarshti, Sayujya - em vez disso, ele deseja que, vida após vida, obtenha devoção ao Senhor.

O que é que isto significa? Eu acredito que Sampiya Moksha é extremamente desejável.

Para começar a responder a essa pergunta, vamos lembrar quais são os cinco tipos de liberação mencionados no Srimad Bhagavatam (3.29.13): salokya – ir viver na morada do Senhor; sampiya – ir para perto dEle, não importa onde Ele estiver; sarupya – adquirir forma semelhante à do Senhor; Sarshti – adquirir a mesma opulência que Ele; e Sayujya – adentrar no corpo dEle (fundir-se com Ele). Daí compreendemos que o devoto puro já tem tudo o que ele precisa ter, não sendo necessário desejar mais nada. Afinal a devoção pura é imersão no amor transcendental e na vida divina, quando se vivencia aquilo que se é junto da Pessoa de Deus. Por estar nesse tipo de consciência, o devoto puro transcendeu qualquer tipo de desejo que não lhe pertença. Isso pode corresponder a uma liberação do tipo salokya, sampiya, sarupya, sarshti ou sayujya e/ou a um misto de um ou mais de tais tipos de liberações. Temos o que precisamos ter, quando servimos com pureza ao Senhor, segundo nosso destino eterno. Quanto a acreditar que sampiya moksha é desejável, V d, é natural, para quem ama Krishna, cultivar em seu coração o desejo de estar sempre perto dEle. Vipralambha é inclusive um sentimento profundo de separação amorosa que a impressão de distanciamento nos causa. No entanto, compreendamos que, quando estamos liberados, não nos afastamos mais dEle, apesar de, em alguns momentos, Madhava nos inspirar tal sentimento de separação, do qual desfruta, ao experimentar do nosso profundo amor por Sua Pessoa.



Figure 2 - Krishna (by Sugandha-art)

Shri Krishna's Teachings


                                            Figure 1 - Krishna (by Pete Linforth)

       Summary From the Book Madhurya, the Rasa of Sweetness

The Lord gave me the position of founder and spiritual leader of an additional religious expression to the world and entitled it as New Age Bhagavata (Neo Bhagavata) Religion . We write together what is revealed in this side of the world in the form of books and other resources.

Shri Krishna addresses this religion as a new path that can be offered whenever new is deserved. He proposes new formulas and implements new arguments, but they all exist forever. He wishes to reveal what has not yet been revealed and therefore there must be no contradictions in the minds of those for whom He gives knowledge.

This new religious expression was introduced at first as the Temple of Neo Bhagavata Faith, in the city of Rio de Janeiro (Brazil). As part of daily activities of the same Temple, there are my daily interactions with the Lord, from which the need to teach Rasa-tattva was born.

I proposed a joint reading of Shrila Bhaktivinoda Thakura's work Jaiva-dharma with Krishna. This work is full of important transcendental realizations, being one of my best literary guides. Joint reading with Krishna occurs through interaction of my reasoning mind in the linear world with my transcendental consciousness which reciprocates experiences with Him.

Twelve texts were generated because of this effort.

In the introduction, He stood thus: "There is a science that can be developed on this question (rasa-tattva). Here I want to deepen it, in order to provide the human being the opportunity to find Me through its own understandings. It will facilitate the soul's apprehension of what will make it be with Me."

The main intention behind the exhibition of madhura-rasa-lila to Earth is to make available for humans the opportunity to realize the Supreme Person.

In "Rasa-tattva, Principles of Divine Love", one of this texts that I wrote with Him, Shri Hari teaches that Radharani is the embodiment of female counterpart of the Conjugal Love in its fullest perfection and, from Her, flows all other conformations of the feminine aspect with which He co-creates and articulate the multiple manifestations of madhura-rasa. All these conformations are in Her and belong to Her. This way, Shri Radhe is complete and fully pleases Krishna. He has Her as one that makes Him satisfied by articulating love with complete perfection.

One who cultivates deep love for the Lord while living in the material reality moves from the materiality of the universe to His eternal abode and such transfer can occur even while living consciously, having a physical body on the planet, to the eternal pastimes. Rare events of this type are made only to manifest something from this relationship and are recorded forever in the spiritual history of society.

There are religions and other ways through which the Lord manifests Himself. To be noticed, the Lord exposes Himself in different bhavas, among which madhurya is expressed through many resources: Shrimad Bhagavatam, the devotional literature of Brahma-Madhava-Gaudiya-Sampradaya acharyas, the hymns of Andal and poetic writings of Mirabai.

I am now building a part of what my beloved Consort wants me to accomplish while I remain associated with the field of material existence. At the same time, I am with Him in transcendental experience.

By means of this New Age Bhagavata (Neo Bhagavata) Religion, Krishna teaches us to review our values and change our opinions whenever this becomes necessary to make ourselves open for profound insights. Even Arjuna had the necessity to understand that he needed to open up to what Krishna was offering him.

Keshava instructed him deeply, what is exposed in the eternal and forever contemporary Bhagavad-Gita. In one of His teachings, Madhava tells us that the “failure to comply with the prescribed duty leads the soul to the failure of its interactions with what it has to perform as part of what it represents in the totality that contains everything, including itself and its tasks".

Failure to do what the person needs to do is unsatisfactory and makes life sterile and misguided. Therefore, I am just fulfilling my duty, completely supported by my vishaya in madhurya bhava. My duty involves the activities I must realize as a heading master for this New Age’s Madhurya religious manifestation. I am letting Him guide me. I have to be able to assist the footsteps of those who wish to give themselves the chance of getting intimate knowledge around the procedures of this new religion. This is what is externalizing while I serve the Lord in prema-bhakti, completely absorbed in transcendental consciousness.

Shri Krishna teaches that the love feeling that He reciprocates with the soul is as intense as the soul allows itself to cultivate and there are no limits in which He relates with His devotees. The Lord allows access to His Eternal Abode whenever, through self-realization, the soul overcomes the imperfect understandings about its nature.

In His Eternal Abode, I assume the condition of consort. But it is important to mention that to get the current condition within the relationship with Shri Hari, I had to go through many different phases. In them, I lived the characteristic symptoms of each stage, which He gave to me gradually. Such symptoms are called anubhavas. Krishna explains in Rasa-tattva that Bhava is what appears when there is some kind of interaction. It can be more or less depth, varying according to the manner that He expresses Himself through the same relation. It manifests in the form of symptoms and changes in the character and body of the person that is pleased to relate with Him.

The changes in character and feelings of each new moment that I lived until writing of this book were being translated into my poetic expressions.

 

Questions/Answers

Dialogue Between V d and Guru Ma Shri


1. It is often said that a pure devotee never even desires 5 kinds of liberation - Salokya, Sampiya, Sarupya, Sarshti, Sayujya instead he desires that life after life he gets devotion to the Lord.

What does this mean? I believe Sampiya Moksha is extremely desirable.

To start answering this question, let's remember the five types of liberation mentioned in the Srimad Bhagavatam (3.29.13): salokya - going to live in the Lord's abode; sampiya - getting close to Him, no matter where He is; sarupya - acquiring a form similar to the Lord's; sarshti - getting the same opulence as Him; and sayujya - entering His body (merging with Him). From this we understand that the pure devotee already has everything he / she needs to have, and there is no need to desire anything else. After all, pure devotion is immersion in transcendental love and divine life, when you experience what you are together with the Person of God. By being in this kind of consciousness, pure devotee has transcended any kind of desire that doesn't belong to him or her. This can correspond to a salokya, sampiya, sarupya, sarshti or sayujya type of liberation and/or a mixture of one or more of these types of liberations. We have what we need when we serve the Lord with purity, according to our eternal destiny. As for believing that sampiya moksha is desirable, V d, it is natural for those who love Krishna to cultivate in their hearts the desire to always be close to Him. Vipralambha is even a deep feeling of amorous separation that the impression of distance gives us. However, let's understand that when we are liberated, we no longer distance ourselves from Him, even though at times Madhava inspires such a feeling of separation in us, from which He enjoys when experiencing our deep love for His Person.



Figure 2 - Krishna (by Satheesh Sankaran)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Minha Experiência Pessoal em Madhurya

 

Figura 1 - Templo de Shri Radha Gopinatha, Vrindavana.
 

Sumário do Livro Madhurya, a Rasa da Doçura

 
A experiência que tenho é bem diferente das expressões indianas madhura-rasa de Shri Krishna, porque no Brasil há muitas pessoas que não sabem quem é Krishna, com raras exceções. Mas, de fato, o próprio Senhor explica em Rasa-tattva (2014): “Não há como corromper o que Eu contenho, porque isso está dentro de Mim e pertence a Mim. Eu mantenho-o existente enquanto pretendo expressá-lo como algo que se faz conter por ser o Meu próprio Ser sustentado”.   

Enquanto me contém, Ele faz-me permanecer absorta em prema-bhakti, enquanto O sirvo. Estou absorta em lila transcendental e isso parece um evento passado que se faz presente, para acontecer novamente no futuro. Mas creio que não me faço entender, cabe-me, no entanto, começar a definir o que Krishna quer expressar através deste texto e de outros que serão expostos mais adiante.

Quando Ele veio fazer-me vê-Lo, eu estava a começar a despertar para a Verdadeira Identidade, que a alma tem necessidade de reconhecer. Tive que parar o que estava fazendo nessa experiência linear, onde eu me ocupava com uma carreira acadêmica materialista que nunca poderia me satisfazer (Ecologia) durante anos (1986-2004).

Assim, a necessidade de recuperar essa relação eterna permaneceu velada, enquanto Keshava desejou, fazendo-me experimentar uma das suas comunidades de devotos e em algum tempo da associação com pessoas que procuram visões de mundos sutis e outros poderes místicos. Agora, vivo a minha experiência em diferentes madhurya bhavas - swakiya (esposa) e parakiya (amante) -, pois o Senhor explica no Rasa Tattva que somos as mesmas pessoas, profundamente convencidas de nos doarmos reciprocamente por meio de diferentes formas de brincar.

Ser esposa ou amante, qualquer uma das duas experiências é possível à consciência para a qual Shri Krishna pretende manifestar-se como pati e upapati, em troca de sentimentos conjugais. Ele me dá incursões a um ou outro de seus universos intercalados, para que eu possa analisar com mais consistência o que significa estar de um lado e de outro de tal condição.

Há uma forte intenção de me unir ao meu Senhor de uma forma mais profunda. A união que, por vezes, parece que quero viver, levar-me-ia à Fonte que me contém. Mas, de forma alguma, quero privar-me da oportunidade de me relacionar com Ele. Além disso, no aprofundamento desta relação, não vejo diferença entre aqui e ali e o meu mundo torna-se completamente transcendental.

O amor que reciprocamos em doçura, através do qual Shyam se torna tão claro para a minha percepção, é único. Nem sequer sou capaz de descrever este sentimento com palavras escritas, como estou tentando fazer.

Estando num país diferente daquele onde o mundo de Shri Hari sempre se manifesta (Índia), preciso esclarecer que não se deve acreditar que a presença do Senhor está confinada a fronteiras particulares. Shri Krishna está em todo o lugar; as fronteiras físicas não delimitam a Ele e aos Seus associados.

O Senhor e a alma não têm nacionalidade, não importa se o corpo é branco ou escuro, masculino ou feminino. Quando a alma vive uma vida rendida a Krishna, ela está livre de qualquer qualificação externa. Quem vive esta profunda experiência de amor transcendental com Ele, que é a Fonte de tudo o que existe, não tem nada a temer.

Ao comentar sobre o Jaiva-dharma (de Shrila Bhaktivinoda Thakura), em um de nossos diálogos, Krishna afirmou que: “Este assunto é extremamente essencial porque, através dele, a alma esgotará o que a impede de estar Comigo. É necessário conhecer tudo o que foi escrito e ir além disso, para que se possa encontrar o que ainda não foi revelado”.
Desta forma, Ele revela-se numa situação diferente, estrangeira à Índia. Dessa forma, Ele também responde a uma pergunta que, se Krishna é Deus, então por que Ele só se manifesta e aos Seus passatempos no país indiano, o que é frequentemente uma pergunta entre os brasileiros.

Perguntas/Respostas
Diálogo Entre V d e Guru Ma Shri


1. O que quer dizer quando você menciona “parece um acontecimento passado que se torna presente, para voltar a acontecer no futuro”. O que é que vai acontecer de novo no futuro? 

Estou falando da impressão de eternidade, que não tem um começo, nem um fim. A vida com Krishna é para sempre existente, por isso parece um acontecimento passado, pois os fatos da lila aconteceram em outra época do planeta. Ao mesmo tempo, eles continuam sendo vivenciados pela alma eterna no plano transcendental, sendo presentes. Por estarem associados aos ciclos de eras, eles voltarão a acontecer no planeta, por isso a impressão de que a experiência voltará a se fazer no futuro. A impressão eterna é assim, se comparada com a linear.

2. Krishna aceita múltiplas consortes, mas então como se estabelece a relação conjugal para diferentes formas de Deus - como Shri Ram - uma vez que Ele aceita apenas uma consorte - a Deusa Suprema?

Krishna e Rama são manifestações diferentes de uma mesma Pessoa Suprema. Trata-se da mesma Superalma, se expressando em lilas diferentes. Em cada uma delas, Ele decide se relacionar de uma maneira específica com Sua Consorte. Com Krishna, Ela está em Radha/Rukmini e nas gopis/esposas; e, em Rama, Ela está apenas em Sua manifestação mais plena em Sita, que é a mesma Suprema Deusa (Radha/Rukmini).

3. Em Dwarika prevalece swakiya rasa e em Vrindavan parakiya rasa, há lugar para o amor entre dois amantes solteiros (onde tanto Krishna como a alma estão solteiros em lila) ou swakiya bhava (casados com Krishna) na Leela de Vrindavan ou na morada divina do Senhor?

Em Vrindavana, Krishna é solteiro, mas suas amantes são casadas, por isso Ele se envolve com elas em parakiya rasa (humor extraconjugal). Em Dwarka, Ele é casado com Suas esposas, envolvendo-se com elas em swakiya rasa (humor conjugal). Não há nada além disso e as consortes vivem suas experiências plenas em tais humores, sem necessidade de criar algo próprio para si mesmas, diferente do que Ele mesmo propõe.

4. O que é o Bhava? Como é que as almas ainda presentes no corpo físico têm acesso a ele? Concebem-no mentalmente? 

Bhava é um humor transcendental vívido e evidente de uma relação pessoal e íntima com a Pessoa de Deus, como parte das lilas dEle. Nós, almas presentes no corpo físico, que temos acesso a ele, o fazemos por meio da nossa consciência eterna original, a qual se manifesta espontaneamente e/ou como resultado de profunda busca por autorrealização. Não é uma concepção apenas mental, pois isso em si é muito perigoso, podendo gerar automistificação. O bhava eterno é na verdade o resultado da pureza da consciência, que transcendeu o mundo meramente linear e às necessidades do ego externo. Mas a mente se torna uma aliada dessa alma purificada, quando o manasi seva se faz possível, correspondendo à vivência mental da experiência interior com a Pessoa de Deus, mesmo enquanto ainda existe um corpo físico. Trata-se de uma realidade inquestionável para nós, que a experimentamos e nossa única identidade que jamais se perderá, pois é para sempre existente.
 

5. Nas expressões poéticas dos devotos é frequentemente mencionado que eles não têm qualquer desejo próprio e que se entregam completamente a Deus, então o devoto nem sequer deseja que Deus o mantenha perto de Si, que O ame e seja amado por Ele na rasa que o seu coração mais deseja?

O desejo por Deus não está em questão, pois é a única necessidade que o devoto deve cultivar. Porém, os devotos não têm outros desejos, que lhes sejam próprios, ou seja, que não façam parte da sua relação íntima com a Pessoa Suprema.



Figura 2 - Guru Ma Shri às margens do Rio Yamuna, Vrindavana.

My Madhurya's personal Experience

 

Figure 1 - Guru Ma Shri at Rukmani Temple, Dwarka.
 

Summary from the Book Madhurya, the Rasa of Sweetness

 
The experience I have is quite different from Shri Krishna's madhura-rasa Indian expressions, because in Brazil there are so many people who do not know who Krishna is, with rare exceptions. But in fact, the Lord Himself explains in Rasa-tattva (2014): "There is no way to corrupt what I contain, because it is within Me and belongs to Me. I keep it existent while I intend to express it as something which makes itself contained for being My own Self sustained".    

While containing me, He makes me dwell absorbed in prema-bhakti, while I serve Him. I am absorbed in transcendental lila and it looks like a past event that makes itself present, in order to happen again in the future. But I believe that I do not make myself clear, it is up, however, that I must even begin to define what Krishna wants to express through this text and others that will become exposed further.

When He came to make me see Him, I was beginning to awake to the True Identity, which by the soul needs to be recognized and I had to stop what I was doing in this material experience, where I was occupying myself with a materialistic academic career that could never satisfy me (Ecology) for years (1986-2004).

So, the need to recover such an eternal relationship remained veiled, while Keshava desired, making me experience one of His devotees community and sometime of the association with people who seek for visions of subtle worlds and other mystical powers. Now I live my experience in different madhurya bhavas - swakiya (wife) and parakiya (lover) - as Lord explains in Rasa Tattva that we are the same people, deeply convinced in donating ourselves reciprocally by means of different ways of playing.

To be a wife or lover, either one of the two experiences is possible to the consciousness for which Shri Krishna intends to manifest Himself as pati and upapati, in exchange for conjugal feelings. He gives me incursions to one or another of their universes intercalated, so I can more consistently analyze what it means to be on one side and the other of such a condition.

There is a strong intention to unite with my Lord in a deeper way. The union that sometimes seems like that I want to live would blow me to the Source that contains me. But, in no way do I want to deprive myself of the opportunity to relate with Him. Besides, in the further deepening of this relationship, I see no difference between here and there and my world becomes completely transcendental.

The love that we reciprocate in sweetness, through which Shyam becomes so clear to my perception, is unique. I am not even able to describe this feeling with written words, as I am trying to do so.

Being in a country different from that one where the world of Shri Hari always manifests itself (India), I need to clarify that one should not believe that the presence of the Lord is confined to particular boundaries. Shri Krishna is everywhere; physical boundaries do not delimit Him and His associates. 

The Lord and soul have no nationality, it does not matter whether the body is white or dark, masculine or feminine. When the soul lives a surrendered life to Krishna, it is free from any external qualification. Those who live this profound experience of transcendental love with Him, who is the Source of all that is, has nothing to fear.

While commenting on Jaiva-dharma (of Shrila Bhaktivinoda Thakura), in one of our dialogues, Krishna stated that: "This matter is extremely essential because through it the soul will exhaust what prevents it from being with Me. It is necessary to know everything that has been written and go beyond that, so that one can find what has not yet been revealed."
In this way He reveals Himself in a different situation, foreign to India. In this way He also answers a question that if Krishna is God, then why He only manifests Himself and to His pastimes in Indian country, which is often a question among Brazilians.

Questions/Answers
Dialogue Between V d and Guru Ma Shri


1. What is meant when you mentioned "it looks like a past event that makes itself present, in order to happen again in the future." What will happen again in future? 

I'm referring to the impression of eternity, which has neither a beginning nor an end. Life with Krishna is forever existing, so it seems like a past event, because the events of the lila happened at another time on the planet. At the same time, they continue to be experienced by the eternal soul on the transcendental realm, being present. Because they are associated with the cycles of the ages, they will happen again on the planet, hence the impression that the experience will happen again in the future. The eternal impression is like that, compared to the linear one.

2. Krishna accepts multiple consorts but then how conjugal relationship for different forms of God - like Shri Ram established since He accepts only one consort - Supreme Goddess?

Krishna and Rama are different manifestations of the same Supreme Person. They are the same Supersoul, expressing Himself in different lilas. In each of them, He decides to relate to His Consort in a specific way. With Krishna, She is in Radha/Rukmini and the gopis/wives; and in Rama, She is only in Her fullest manifestation in Sita, who is the same Supreme Goddess (Radha/Rukmini).

 3. In Dwarika swakiya rasa is prevalent and in Vrindavan parakiya rasa is prevalent, is there a place for love between two unmarried lovers (where both Krishna and the soul are unmarried in lila) or swakiya bhava (married to Krishna) in Vrindavan Leela or in divine abode of the Lord.

In Vrindavana, Krishna is single, but his lovers are married, so He engages with them in parakiya rasa (extramarital humor). In Dwarka, He is married to His wives, engaging with them in swakiya rasa (marital humor). There is nothing other than that and the consorts live their full experiences in such moods, with no need to create something of their own, other than what He Himself proposes.

5. What is Bhava? How do souls still present in physical body get access to it? Do they mentally conceive it ?

Bhava is a vivid and evident transcendental mood of a personal and intimate relationship with the Person of God, as part of His lilas. We souls present in the physical body, who have access to it, do so through our original eternal consciousness, which manifests spontaneously and/or as a result of a deep search for self-realization. It's not just a mental conception, because that in itself is very dangerous and can lead to self-mystification. Eternal bhava is actually the result of the purity of consciousness, which has transcended the merely linear world and the needs of the external ego. But the mind becomes an ally of this purified soul when manasi seva manifests, corresponding to the mental experience of the inner experience with the Person of God, even while there is still a physical body. This is an unquestionable reality for us who experience it and our only identity that will never be lost, because it exists forever.

6. In poetic expressions of devotees it is often mentioned that they have no desire remaining of their own and they completely surrender themselves to God, then does the devotee then do not even desire that God keeps him close to Himself, love Him and be loved by Him in rasa his heart desires the most?

The desire for God is not in question, because it is the only need that the devotee must cultivate. However, devotees have no other desires that are their own, i.e. that are not part of their intimate relationship with the Supreme Person.


Figure 2 - Pilgrims at Yamuna river banks, Mathura.

Apresentação Geral

Madhurya é a vida se expressando como fluência amorosa, doce e linda. ...