sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Apresentação Geral





Madhurya é a vida se expressando como fluência amorosa, doce e linda. Ela é como a beleza da flor que exala a fragrância perfeita; e a paisagem mais bela que se possa conceber.


Trata-se de um jeito de estar em todos os mundos em que Krishna esteja ao mesmo tempo, pois transcende as fronteiras deles.

Desde que haja Krishna, então há tudo o que é preciso para existir tal bhava. Ele é o eixo da existência e o centro das atenções na doçura do amor. É o amado eterno e Senhor de tudo o que se possa pensar, sentir e ver.

Madhurya faz o mundo girar em torno dEle, sendo Ele a Fonte e também o Fim do que se quer para sempre ser.

Quem descobre-se amando à Pessoa de Deus assim, já não poderá mais conter o sentimento que exaure todos os sentidos, quando eles só pretendem servir ao Amor que por Madhava se sente.


Que amor é este, então?

Um amor assim tão grande, que nada pode vencer, é a verdadeira experiência de vida. Ele é puro, isento de máculas. Perfeito e intenso, este amor é a vitória maior a se conquistar.

Quem o desconhece não tem como atinar para o seu significado. Mas, ao vivenciá-lo, nada mais há que se desejar, exceto a Krishna se entregar.

Este amor está nas escrituras mais sagradas, as quais descrevem o que as gopis sentem pelo seu Amado. É este sentimento que as esposas de Shri Hari expressam, quando absortas nEle

"permaneciam sem fala alguns instantes”, para então, repentinamente “irromperem em palavras incoerentes de modo semelhante a lunáticas. Na intensidade do seu amor, elas (de tempos em tempos, experimentavam dor excruciante de separação do seu Senhor, mesmo na Sua presença e) paravam com suas falas delirantes (Srimad-Bhagavatam 10.90.14)”.

Só quem experimenta de madhurya-rasa sabe exatamente do que se trata tal excruciante dor que as esposas sentem ao pensarem em se separar de Krishna.

Afinal, o amor conjugal pelo Senhor da vida (Deus) transcende qualquer limite. Logo, não existem limitações ao desejo de se querer estar ao lado dEle; o que acontece por ser a Pessoa Suprema que pensa estar relacionando-se com quem percebe-se relacionar-se desta maneira com Ele.

Krishna não pode ser circunscrito por nenhum tipo de fronteira, mesmo que seja do pensamento. Sendo a Absoluta Personalidade, Ele é o infinito e Suas relações transbordam perfeição e beleza.

Quem tem este tipo de experiência, no bhava de Madhurya, vive em uma condição que é também infinita. Sendo tal vivência tão perfeita, pura, doce, delicada e intensa, a contraparte de Shri Hari se deixa levar por este imenso “buraco negro” que Ele é (do qual é impossível escapar).



Os textos e poesias deste blog foram redigidos por Shri Krishna Madhurya, como expressão do seu amor conjugal por Krishna. Conheça também https://shankarayanamah.blogspot.com/ e https://jardinsdekrishna.com.  

Radhashtami 2026: leitura comentada sobre Madhurya-Rasa-Lila

No livro Madhurya, a Rasa da Doçura, já de cara, na introdução, tem uma interessante descrição de quem é Shri Radha, do ponto de vista espiritual. Começa assim o texto: “Dentre todas as formas de se relacionar com a Pessoa Suprema, Śrī Kṛṣṇa, madhura-rasa (ou mādhurya) é sem igual”.

Vejam, aqui estamos falando da Pessoa Suprema; e nós sabemos que a Pessoa Suprema, para nós, tanto faz o nome que Ele use, que Ele queira se expressar através dEle. Aqui, no caso, é esse o nome, Shri Krishna, é esse o humor da Pessoa Suprema. Então, dentre todas as formas de se relacionar com Ele, com Shri Krishna, Madhurya Rasa é sem igual.

Porque “ela é a única rasa que está na intimidade, a que Ele se dá e às suas associadas, para o Amor Conjugal”. Ele se dá essa liberdade para agradar também às suas associadas que o amam assim, através do amor conjugal. Ele se dá essa intimidade com as suas parceiras conjugais.

Portanto, isso é muito íntimo. Por ser muito íntimo, poucas pessoas conseguem entender, inclusive por Ele ser Deus. E muitas vezes, porque nós vivemos em Kali Yuga, que é um momento muito conturbado, caótico e cheio de degradação das coisas, as pessoas confundem essa intimidade conjugal com impureza.

Então, eu acho que, em geral, as outras religiões que não sejam o hinduísmo (e mesmo dentro do hinduísmo, algumas vertentes) acham que isso é impuro. Tem vertentes no hinduísmo que negam que Krishna tenha esse tipo de relação íntima com as gopis e com Shri Radha. Eles acham que essa intimidade é sempre impura.

Mas aqui a gente vê que Madhurya Rasa “é a Luz que ilumina o mundo das gopīs e das demais Consortes do Senhor. Não importa se estejam elas no pensar dEle acerca de Vraja ou em torno de Dvārakā e seus ambientes palacianos”. Lembrando que, quando a gente está falando em Lila transcendental, a gente está falando no pensar dEle.

É Ele que está pensando diretamente - Krishna, Shiva, Deus, a Pessoa de Deus. Ele pensa diretamente as experiências que se fazem. As experiências que Ele está pensando.

O que é muito diferente da pessoa humana que está aqui nesse mundo e que, às vezes, busca por Deus através do impersonalismo. Isso significa ela meditar que ela mesma é Deus, só que ela esquece que não consegue fazer isso. Isso de você pensar e o seu pensamento já produz automaticamente a Lila, como Deus faz.

A pessoa de Deus faz isso. E aqui a gente está comentando...  Madhurya Rasa é uma luz tão intensa, que quem desconhece essa intimidade não tem como entendê-la. É uma luz tão intensa, tão pura, tão forte que o resto todo perde o sentido.

Quando a gente está tendo a experiência com essa luz na nossa vida, ela elimina todos os outros interesses dos nossos corações. E aqui a gente vê que não importa se Ele está pensando em Vraja, que é a região de Vrindavana, onde Radharani é a consorte principal. E onde as gopis são amantes dEle também, junto com Radha.

Não importa se é em Vraja ou se é em Dwarka e os ambientes palacianos, onde Rukmini é a Deusa principal, é a Adi-Shakti. E as outras esposas são o quê? São manifestações das mesmas consortes que, em Vraja, estão no humor de gopis, num humor extraconjugal com Krishna. E lá nos palácios em Dwarka são as esposas de Krishna.

Por que isso existe? Porque as gopis em Vraja praticam sua religião, que é o amor por Krishna, assim como para as esposas em Dwaraka também, a sua religião é o amor por Krishna? A Madhurya é a religião das consortes.

Então, o que acontece? Quando elas estão em qualquer um desses ambientes, elas estão completamente auto-entregues a essa intimidade. O texto continua explicando. “Há uma grande profundidade na relação das rainhas de Kṛṣṇa com sua doçura, porque ela pertence ao universo pessoal que compõe as līlās da Absoluta Pessoa, para sempre existente”.

É uma coisa que as pessoas não conseguem entender. Quando as rainhas de Krishna estão se relacionando com a doçura conjugal dEle, elas são as mesmas pessoas que se relacionam em doçura conjugal com Ele em Vraja.

As gopis, na sua religião, em Madhurya Bhava, em Vraja, fazem muitas austeridades. Elas fazem muitas austeridades porque querem ser esposas de Krishna. E dentre essas austeridades, há austeridades que são diretamente para Katyayani.

Katyayani é Durga. Durga no humor de esposa perfeita. A esposa perfeita de Shiva é toda armada. Ela mata demônios, Ela destrói as iniquidades. Mas, ao mesmo tempo, Ela vive um profundo romance com Mahadeva, sendo a protetora das outras consortes.

Todas as mulheres na Índia que seguem o hinduísmo, quando querem proteção para o seu casamento, elas pedem isso para Katyayani. Todas as jovens que ainda não são casadas, mas que pretendem se casar, elas pedem isso para Katyayani, um bom esposo. Então, Katyayani é isso, a Deusa protetora das Consortes.

E as gopis buscam por Katyayani e fazem austeridade. E, portanto, elas conseguem atingir sua meta. Elas alcançam essa experiência em Dwarka. Como que é isso? Elas morrem e nascem de novo? Não. Não é assim. A alma transcendental e divina consegue estar presente em vários corpos ao mesmo tempo, além da linearidade.

Então, não é linear essa experiência. A consciência se percebe num lugar ou no outro, assim como a consciência da Adi-Shakti em si. Ela pode canalizar Durga em determinado momento, lutando com o demônio, ou Ela pode canalizar Radha, em um momento de romance profundo com Krishna.

Em determinado momento - não linear e, portanto, talvez a palavra momento nem seja a mais adequada -, Ela é tudo isso ao mesmo tempo. Por esse motivo, a gente costuma ver aquelas imagens de Deus, de Krishna ou de Shiva, ou mesmo da Shakti. Existe uma representação, pintada e desenhada pelas pessoas aqui desse mundo, com várias cabeças, vários braços.

Porque essa divindade é assim. Ela não está circunscrita a um corpo só e não vive cada experiência a um determinado momento na linearidade. Não existe isso.

De modo que, no universo de Madhurya-Rasa-Lila, as consortes são as mesmas. Na verdade, todas elas, e o texto vai explicar aqui, são algum jeito de ser, algum aspecto, algum momento de Radha. No entanto, está escrito que, “é certo que a maneira como Rādhā lida com o amor de Govinda, nos arvoredos e pastagens de Vṛndāvana, é inigualável”. Por quê? Porque é exatamente a Fonte desse sentimento de Madhurya. Ela é Madhurya. E está escrito isso logo a seguir no livro.

“Śrīmatī Rādhārānī é a personificação da própria madhura-rasa-līlā”. Ela é a pessoa que expressa Madhurya Rasa Lila, não importa onde for. Então, se tem amor conjugal perfeito, a esposa atingiu a perfeição no amor conjugal com Krishna, ela atingiu a consciência de Radha.

Se uma devota que está apaixonada por Krishna, morrendo de amor conjugal por Ele, como Mirabai, num momento em que Ele não está presente no planeta, mas ela atinge a perfeição desse amor espiritual, ela alcançou Srimati Radharani. Essa é a questão que as pessoas geralmente não conseguem entender.

São muitas consortes e a perfeição da experiência delas com Krishna é sempre o momento em que elas atingem sua Fonte. Daí o porquê de Radha estar sempre presente onde quer que haja relação conjugal de Krishna. Ela está “sempre presente onde quer que haja relação conjugal de Śrī Kṛṣṇa. Não importa se o nome da consorte é Rukmiṇī ou Satyabhāmā, se é Candrāvalī ou Mīrābāī, o mundo em mādhurya-bhāva pertence a Śrī Śrī Rādhe Shyām”.

A gente tem na lila de Vraja, a gente tem Radha e a gente tem Chandravali. E todo mundo conhece que elas estão mais ou menos à altura uma da outra e que são opositoras. Porque ambas querem ter mais intimidade com Krishna do que a outra, só que Chandravali não é Radha. Ela alcança Radha. Nas meditações que ela tem junto de Krishna, ela alcança Radha. Mas Radharani não precisa alcançar Chandravali.

É Chandravali que tem que alcançar Radha. É a mesma coisa com Shri e Bhu. Shri não tem que alcançar Bhu. Bhu que alcança Shri, Shri que contém Bhu.

E aqui está se falando que “não importa se o nome da consorte é Rukmiṇī ou Satyabhāmā, se é Candrāvalī ou Mīrābāī, o mundo em mādhurya-bhāva pertence a Śrī Śrī Rādhe Shyām. São todas as contrapartes de Mādhava algum modo de ser de Śrī Rādhe, dentre as quais, algumas são expansões da consciência dEla.

Outras são expansões menos diretas. Mas, para alcançar essa perfeição em Madhurya Bhava, tem que alcançar Radha. E é por isso que lá em Vrindavana tem um movimento muito forte atualmente, tem um guru lá que está bem famoso, cujo nome é Premananda Maharaj. Ele tem muitos seguidores e fala que a espiritualidade dele é de uma sakhi, uma sakhi de Radha.

A partir disso, ele lançou em Vrindavana o mantra Radha, Radha. A gente anda nas ruas de Vrindavana hoje em dia, e em toda parte tem a voz dele cantando Radha, Radha. Isso se formou porque Ela é essa Fonte, essa Fonte de Madhurya Rasa.

Então, mesmo ele que é uma sakhi, que se percebe como tal, ele precisa dessa Fonte. Ele precisa chegar nEla, para conseguir viver da experiência de uma sakhi pura, junto de Radhe Shyam, na lila de amor conjugal. E é isso. Tais ilumináveis modos de ser existem concomitantemente nessa eterna lila de amor de Shri Radha, de Shri Devi com Hari.

“Rādhā (Rādhārānī, Rādhikā) é o nome mais completo de todos os seus nomes, sendo, no entanto, não diferente de Lakmi, Rukmiī e Sītā”, que são outros nomes da consorte de Shri Hari. Aí a gente pode levar isso daqui mais adiante, e podemos falar também da consorte de Mahadeva, de Shiva.

Então sempre que tem uma consorte divina, seus nomes são nomes diferentes de uma mesma Pessoa. Mas Radha é o nome mais completo, quando a gente está pensando nessa lila de amor conjugal. “Ela é a potência de prazer do Senhor de tais līlās amorosas e de atração conjugal. Portanto, Rādhikā é também o poder a que Ele recorre sempre que sente a vontade de relacionar-se no humor de mādhurya”.

É por isso que as pessoas colocam Krishna implorando para Radha pelo amor dEla. Às vezes Radharani cria toda aquela situação, do tipo “não quero Você agora”. E Krishna fica implorando, porque Ele quer, naquele momento, o humor de Madhurya; e Ela é a Fonte.

Ele sabe disso melhor do que qualquer outra pessoa. Ela é o poder, Ela é a Shakti, nesse humor dEle, em Madhurya.

Mais para frente, o livro Madhurya, a Rasa da Doçura vai falar sobre essa multiplicidade de maneiras de relacionar-se amorosamente, que está em Radha Krishna. Multiplicidade que se manifesta através de inúmeras expressões de uma lila única. A mesma lila, na qual, quando jovem, Ele tem as namoradinhas que querem ser esposas dEle no futuro.

Mesmo que algumas delas já sejam casadas, o que acontece até mesmo com Radha, que já é casada. Só que o casamento delas é sempre com alguma expansão de Krishna.

Afinal, quem mais poderia casar com alguém assim, como Radha? Tem que ser alguma manifestação dEle. O décimo canto do Bhagavata Purana descreve que: “existem as gopīs e as esposas, as quais compõem a experiência conjugal de Mādhava em duas distintas fases da vida dEle. Além do que, os passatempos que o Senhor estabelece com estes dois grupos de consortes têm diferentes naturezas”.

Porque um grupo está em parakiya-madhurya-bhava - as gopis -, o que significa o bhava da consorte extra-conjugal. Não é consorte casada com Ele. Svakiya-madhurya-bhava que é o humor conjugal das mulheres casadas com Krishna, que têm a experiência da relação conjugal sendo casadas com o Amado. Então, são dois grupos de consortes e duas naturezas diferentes. “Eles povoam o mundo de Śrī Hari com elementos da vida extraconjugal e conjugal”.

O capítulo do livro que estou comentando trabalha com aspectos da unidade dessa diversidade de circunstâncias. No livro em si, eu procuro mostrar essa unidade. Exatamente por isso que eu parto do princípio de que Radha é a Fonte de todas as consortes.

E, para chegar a ter essa experiência conjugal forte com Ele, tem que alcançar Radha. Eu já falei isso. Já teve devota que me buscou porque queria ter a experiência de Madhurya Bhava com Krishna e que não queria saber de Radha. Eu falei, então você não vai ter essa experiência que está buscando. Porque Radha é a Fonte dela, não adianta. Se você não vê isso, está bem longe do mundo de Madhurya Bhava.

O Srimad Bhagavatam (Bhagavata Purana), contém descrições do deslumbre que é causado pelo profundo amor por Sri Krishna, endereçado a Ele pelas gopis de Vraja e pelas esposas em Dwarka. São vislumbres desse amor que embeleza o planeta e “é impulsionado pelo próprio viṣaya da situação (o objeto amado), Kṛṣṇa. Ele deseja desfrutar dos sintomas de amor de Suas consortes, as āśrayas (que amam o objeto). Fazendo isso, o Senhor irradia para o mundo, como em ondas que se propagam, o mais profundo sentimento de reciprocidade amorosa que pode existir”.

Ele que impulsiona isso. Ele que provoca a gente assim. Todo mundo sabe como é você se envolver com alguém de um jeito ou de outro. Se alguém lhe provoca conjugalmente e você não está a fim, não vai ter nada entre você e aquela pessoa. Só vai ter se os dois lados quiserem.

E, obviamente, quando Krishna lança o olhar em Madhurya dEle para a devota, a devota vai fazer o quê? Ele é Deus. Se Ele está lhe chamando assim, é porque você é isso junto dEle. Isso é outra coisa que eu sempre falo para as pessoas que me perguntam sobre Madhurya. Primeira coisa básica: Ele tem que lhe ver assim. Não é você que tem que querer ser isso. Se Ele não está lhe vendo dessa maneira, você não é isso. Não adianta você querer forçar a barra.

Keshava deseja desfrutar dos sintomas de amor de suas consortes, que são as ashrayas, aquelas que amam o vishaya. O vishaya é o objeto amado. Ele quer que as consortes tenham esse tipo de sintoma de amor por Ele.

Assim é essa relação conjugal de Krishna com as suas consortes. Ele lança esse chamado. A consorte se deixa envolver pelo objeto amado.

E essa relação acontece. “Fazendo isso, o Senhor irradia para o mundo, como em ondas que se propagam, o mais profundo sentimento de reciprocidade amorosa que pode existir”. Não precisa, portanto, negar as consortes. Não precisa negar, porque é Ele que está querendo mostrar para o mundo isso.

Para Ele ser visto como uma Pessoa bela cercada de outras pessoas belas. Que reciprocam com a Pessoa dEle um amor tão profundo cheio de reciprocidade. E aí, “compreendendo-se a intenção que há no desfrute de Śrī Kṛṣṇa, percebe-se a pureza dos mesmos passatempos”.

Quem acha que esses passatempos não são puros é porque não percebe a pureza. Não tem pureza suficiente na sua mente e no seu coração para perceber a pureza nesse desfrute. Mas o fato é que esses passatempos “têm natureza completamente distinta do que se conhece como amor conjugal dentro do mundo da alma humana materialista”.

“O Senhor usa seu ilimitado Poder de doar prazer enquanto desfruta de tal doação, ao relacionar-se com sua potência de prazer (Rādhārānī)”. É um poder que Ele tem. De sentir alguém com tanta atração por Ele, mas por Ele ser puro, porque Ele é Deus, obviamente que essa atração também é pura.

“Ele propõe a Ela múltiplas formas, através das quais Ela pode, por sua vez, doar-se ao Seu Pūrua (Controlador Absoluto), em profundo prema-bhakti (serviço devocional ao Amor de Deus)”.

Então vejam como isso é puro. Radhika está atuando como uma Fonte desse tipo de amor que atrai inúmeras almas em direção a Deus. E não só isso. Não é atrair elas, essas almas, mas atrair o desejo delas chegarem a tal grau de pureza e reciprocidade amorosa com a Pessoa Suprema. Esse é o serviço que Radha presta, em prema-bhakti, que é o serviço devocional ao amor de Deus.

“Este intercâmbio amoroso, assim como o aparecimento de Śrī Kṛṣṇa na Terra em si, torna Deus mais visível para o ser humano, o que faz o planeta mais belo”.

Nesse ponto, eu aproveito para falar sobre uma coisa em torno da qual eu tenho escrito bastante ultimamente, que é a questão de Krishna, a Pessoa de Deus, ter um romance com a Natureza, com Prakriti, com a Shakti, a Deusa. Isso aqui, por si só, é tão importante de ser mantido como dimensão simbólica na mente dos devotos. É tão importante que a gente está vendo os efeitos, as consequências de isso estar se perdendo, dessa compreensão estar se perdendo.

Então, o ser humano se afasta de Deus, desconhece a Natureza, ou, quando conhece a Natureza, a conhece como algo material, sem conexão com Deus, porque não se interessa por Deus. Ou seja, fica tudo assim, desconectado. Enquanto, por outro lado, a gente tem aqui, nesse intercâmbio amoroso, uma prova muito clara que Deus ama a Natureza e que a Natureza não vive sem Deus.

Que os dois formam um Casal Perfeito, cuja intimidade mais profunda está em Madhurya-Rasa-Lila. Intimidade essa que embeleza o planeta, que as pessoas que sentem atração por ela, que gostam de ir para Vraja, para visitar e peregrinar em Vraja. Ou que não precisam ir a Vraja para isso, pois é possível se conectar com essa relação a partir de qualquer lugar do mundo em que você estiver. Mas de fato, quem gosta dessa lila, que sente algum tipo de atração pelas imagens, pelas músicas, pelos aromas dos incensos de Radha Krishna, conhece tal beleza.

Sabe o que é isso aqui? É fazer o planeta mais belo.

Então, “as līlās do Senhor, em tal forma atrativa, traduzem, para as pessoas que têm corações receptivos e olhos delicados e sensíveis, o desenho transcendental da vida”. Esse desenho não pode ser visto através do campo da experiência meramente material. Se as pessoas olham e acham que isso é impuro, é porque elas estão olhando com o olhar material delas, elas não estão olhando com o olhar espiritual. 

Porém, olhando para essas muitas expressões, essa maneira de fazer-se ver de Deus, pode-se contemplar os padrões de bem-aventurança eterna que a associação com Ele proporciona à alma. É exatamente essa que é a questão, por meio dessas expressões de Madhurya Lila, é a bem-aventurança eterna (sat-cit-ananda) que Ele está distribuindo para as pessoas, para as almas.

E Radharani tem uma função importante dentro disso, como vimos nessa aula de hoje. E aí, só para complementar, no finalzinho da subseção 1.2 do livro, onde apresento relatos por Manjari Bhava, da Brahma-Madhva-Gaudíya-Sampradaya. Essa Sampradaya tem origem de Chaitanya, Sri Krishna Chaitanya. E é ela que deu origem ao movimento Hare Krishna, por exemplo, que chegou aqui no Ocidente mais fortemente.

Mas os relatos por Manjari Bhava são muitos. E eu vou lá no finalzinho, porque aqui no final desse subcapítulo está escrito assim, que “sendo Rādhikā a própria potência de prazer de Śrī Kṛṣṇa, vive prema-rūpa espontânea e naturalmente”. Por prema-rupa entenda-se dar forma ao amor, a esse amor puro, o que é bem específico à sua condição junto de Krishna, que tem um sentimento mútuo com Radharani de Mamata - um sentimento de possessão amorosa -, causado pelo desejo profundo recíproco de sentir tal prazer, porque o mesmo prazer é doado para muitas almas.

Ele precisa existir. E é aqui, o que eu queria falar, as associadas de Radharani estão diretamente sob a influência dos sentimentos recíprocos da fonte de Madhurya-Rasa. Como eu dei aquele exemplo de Premananda Maharaja, ensinando para os discípulos e seguidores dele que a Fonte é Radha, a Fonte desse amor conjugal profundo e puro.

Então, “esta Fonte é a intenção de desfrutar do Amor mais puro que se faz, em Ādi-Pūrua. Ele quer ativar sua própria potência de prazer para satisfazê-Lo neste sentido. A avidez do Senhor por experimentar tal desfrute causa o prazer, que sua potência manifesta”.

O prazer é, então, sentido por muitas almas. Isso aqui que é legal da gente também entender agora. Então, Krishna faz Radha sentir essa atração por Ele e essa atração que há entre os dois, ela é sentida por todas as outras sakhis, gopis e esposas que se aproximam do Casal nesse momento de desfrute. As manjaris também. E aqui isso é explicado assim: “O prazer é então sentido pelas fagulhas deste Fogo de Amor (ou o Oceano de Néctar) que então se faz nas formas de infindáveis gopīs e mañjarīs (as gotas do Oceano)”.

Por meio de tal mecanismo, o sentimento de reciprocidade entre Deus e Natureza se propaga, afetando “as cadeias de mundos e seus planetas, inclusive gerando padrões para as percepções lineares”. Minha missão está repleta de tal reciprocidade e do desejo de expressar para o mundo os significados práticos desse bhava, que vem inclusive a influenciar comportamentos e atitudes de maneira a beneficiar toda a Terra, a sociedade humana e as demais comunidades de seres vivos.

Nas fotos da postagem, temos: i) o processo de adoração ao rio Yamuna, que ocorre diariamente em Vrindavana; ii) Bhandirvan, o local onde é dito que Radha Krishna se casam secretamente; iii) altar de Radhe Shyam em Barsana; iv) Lalita Kunda, no vilarejo onde fica Radha Kunda/Shyam Kunda; v) Shri Krishna Madhurya e Dauji Kana-Vanashaya na Colina de Govardhana. As fotos foram todas obtidas na nossa última peregrinação à região de Vraja (Uttar Pradesh), no ano de 2025.



sábado, 11 de julho de 2026

A Ciência de Rasa Tattva

 


Tattva é uma palavra que significa princípio e existem muitos Tattvas na Ciência de Deus. Está-se comentando aqui um deles, que é Rasa-Tattva, o qual, na verdade, é um princípio que contém muitos outros. Pode-se, portanto, usar o termo no singular, se referindo ao princípio do Amor Divino, ou no plural, porque tem muitos princípios dentro de Rasa-Tattva. Então, é um princípio que não é meramente racional e que a mente racional não consegue entender, ele é transcendental.

A palavra Rasa se refere ao conjunto de sensações dentro de uma relação transcendental com Deus, sendo Rasa-Tattva o princípio que rege essa relação transcendental com o Senhor. Dentre todos os princípios, Krishna coloca Rasa como a mais fundamental, porque trata da nossa relação com Ele.

Existe também o termo Bhakti-Rasa, o que é Serviço Devocional, sendo que Rasa existe na relação com Deus. Bhakti-Rasa é a relação que se desenvolve no seu Serviço Devocional, ou vice versa, o Serviço Devocional você desenvolve de acordo com a Rasa que você tem com Ele. Bhakti-Rasa ocorre em consciência pura, quando você está na sua consciência mais pura, e você se devota plenamente a Ele. Quando você O Ama conscientemente e com Ele reciproca desse Amor, realmente consegue experimentar Bhakti-Rasa, que é o Serviço Devocional puro, sem máculas de nenhum tipo.

Shri Krishna coloca então que Rasa-Tattva “pode ser comparado ao nascer da Lua, porque aclara a escuridão que a noite da alma faz estabelecer, e sua radiância é o que Eu realizo enquanto me ofereço para que haja a intensa relação que Me faz ater por quem por tal fundamento se deixa esclarecer”. Por isso faz-se uma comparação com a luz da lua. Estando a alma obscurecida, ela não consegue travar esses contatos eternos com Deus. Rasa-Tattva é, então, a Luz da Lua que ilumina a noite escura.

A irradiância desta Lua é o que o próprio Shri Krisnha está realizando ao se oferecer para reciprocar com cada um de nós. Se você está reciprocando com Ele uma relação, e você está compreendendo esse Princípio, é porque o mesmo vem sendo irradiado da própria Fonte, que é Deus. Porque o Senhor realiza isso, por meio do Seu eterno pensar/existir Absoluto, Ele irradia tal Luz, que é percebida pelo devoto - a Luz de Rasa Tattva.

Rasa é um princípio pré-determinado, o qual é conhecido em detalhes pela alma que realiza sua condição existencial junto de Keshava, enquanto Sua associada transcendental. Isso o Senhor complementa, dizendo que “Bhakti-rasa é obtida quando a consciência se purifica de outras tendências que não sejam apenas Me amar e Comigo reciprocar de mútuas considerações; e ela está no Serviço que o devoto realiza enquanto pretende se purificar de tudo o mais que não seja apenas a tal relação se entregar”. A auto-entrega a uma relação, a qual se caracteriza por determinada rasa, se expressa de acordo com determinado sthayibhava.

Cada pessoa tem um sthayibhava, o qual na verdade só aparece quando você começa a se interessar por Deus. Se você não tem interesse nenhum por Deus, o seu sthayibhava é nulo.  O sthayibhava reflete seu apego por Deus. Aqui mais especificamente está se abordando o apego por Krishna, pois, neste texto, Deus se mostra para nós através deste nome e desta forma (ou de outro nome ou outra forma, como Shiva).  Dentro disso, o sthayibhava é também o primeiro sintoma que desperta quando você começa a se voltar para essa relação, que é uma relação eterna que você tem com Ele.

Tal sintoma qualifica a sua relação com a Fonte da sua alma. Isso significa que um apego é diferente do outro. A relação da autora do presente artigo, como se sabe, é em madhurya-rasa, e o seu apego por Krishna é conjugal. Assim o sthayibhava da autora reflete a madhurya (atração conjugal) para com Krishna (e/ou Shiva). Acontece o mesmo na vida individual das pessoas do mundo material. Por exemplo, quando alguém tem um marido e uma filha, o apego de tal pessoa pelo marido é diferente do apego da mesma pela filha. De tal mecanismo resulta o sthayibhava.

O sthayibhava é a primeira coisa que começa a surgir, às vezes muito leve e sutil, quando, iluminado por Rasa-Tattva, você volta a interagir com a Pessoa de Deus na eterna morada. Ele surge como um sentimento e um humor de apego recíprocos, que é bem específico à sua relação eterna com Deus. Quando alguém volta a ter acesso a Ele, através da Presença Eu Sou ou por ascensão espiritual, significa que esta pessoa retomou o sthayibhava característico à sua relação.

Voltar a se relacionar com o Senhor e a ter ao menos lapsos da consciência da alma original, fazendo uso de uma terminologia da Nova Era, depende do processo de ascensão espiritual. Tal ascensionamento da consciência permite que o apego a Deus se revele, o qual é chamado rati. Rati é o apego em si, de modo que qualquer apego pode ser assim denominado. Mas, se o apego é por Krishna (ou pela Pessoa de Deus, em alguma de Suas formas), dentro de uma relação transcendental com Ele, este apego expressa-se em sthayibhava.

Rati aparece, esse apego se revela e vem demonstrando sentimentos que realmente você tem. Tais sentimentos são expressão de uma reciprocidade com Krishna, exatamente porque é Ele que lhe faz relembrar dessa relação. É Ele que faz você relembrar, que toma você de volta. Mas, trata-se de um processo recíproco, pois, devido ao seu esforço em buscar pelo Senhor, quando começa a ascencionar, você retoma o acesso a Ele.

Entenda-se, portanto, que é Ele que lhe dá o acesso. Na verdade, este acesso é uma expressão da reciprocidade da alma com Deus, que é eterna, e que está se manifestando através de um novo contato que a pessoa está fazendo com Ele. O novo contato revela rati, apego pelo Senhor. Mas, o apego que você já tem, quando você já sabe quem você é ao lado de Krishna, deve ser chamado sthayibhava, que é específico a cada relação com Ele.




sábado, 21 de março de 2026

Madhurya Rasa videos by Guru Ma Shri

 


In the following videos, I'm reflecting about Madhurya Rasa. This is the most intimate rasa to establish a close relationship with the Supreme Being, Krishna. Why it's the closest relationship? Because with Madhurya Rasa, we can share intimate moments of conjugal bliss with the Lord.

Krishna, the Lord, and His associates taste rasa of conjugal bliss. There are other ways to establish close relationships with Him, but this rasa is the life of Krishna's consorts, being them in Vraja and Dvaraka. In Vraja, they are the gopis, and Radha is the most important of them all.

And in Dvaraka, they are the wives of Krishna, being Rukmini the most important of them all. A deep love exists between Krishna and His queens, but Sri Radha, while in Vraja, and Sri Rukmini, while in Dvaraka, know precisely how to deal with His love when in Vraja and grooves of Vrindavan. And when in Dvaraka, through the palaces and gardens, this way to deal with His love in grooves and palaces and gardens is imparalleled, because Sri Radha and or Sri Rukmini is or are the embodiment of Madhura Rasa.

I invite you to subscribe my Madhurya channel on You Tube and to like the videos.



Madhurya, the rasa of sweetness - introduction


Madhurya, the rasa of sweetness - Shri Krishna gopis and wives (part I)



domingo, 30 de novembro de 2025

O Yatra da Nova Vrindavana

 


A Vrindavana que se desenvolveu originalmente em torno das lilas (passatempos transcendentais) de Radha Krishna, das gopis e gopas, é a chamada a Vrindavana Antiga. Para além dos seus limites, uma Nova Vrindavana já pode ser visitada, tendo se estabelecido a partir de novas iniciativas devocionais. Ela é também uma expressão dos mesmos passatempos, porém, ao contrário da Vrindana Antiga, a nova não contém em si locais diretamente atrelados a fatos que compõem os mesmos passatempos.

Dentro dela, o Krishna Balarama Mandir, estabelecido por Srila Prabhupada (ISKCON), em 1975, recebe grande afluxo de devotos indianos e de outros países. Em seus altares, há a deidade de Sri Krishna Balarama, Sri Radha Shyamasundar e Sri Gaura Nitai, além do vyasasan de Srila Prabhupada. As deidades são muito belas, ricamente ornamentadas, cujo darshan é profundamente inspirador.

A ISKCON está construindo o Krishna Balaram Cultural Centre, além de oferecer facilidades aos devotos, como guest house, restaurantes e outras. Há um museu de Srila Prabhupada e uma grande goshala (abrigo para vacas e bois, figura abaixo).



Situado a aproximadamente 3,5 Km do anterior, o Prem Mandir é também uma grande atração para os devotos indianos. Fundado em 2012, por Sri Kripalu Ji Maharaj. As deidades de Sri Radha Krishna e Sri Sita Ram são muito belas e, ao redor do templo, há fontes de água, jardins e monumentos que retratam fatos e cenas dos passatempos eternos (Jhulan, Govardhan, Ras e Kaliya Nag lilas). As luzes que iluminam a fachada do templo, ao escurecer, mudam de cor continuamente, embelezando sua visão.

A 4,8 Km do Prem Mandir, pode-se visitar o Chaar Dham Mandir, que é assim chamado por conter quatro (chaar) moradias sagradas (dham) das divindades:  Shivdham, Shani Dham, Radha Krishna Dham e Maa Vaishno Devi Dham (figuras abaixo). Esse complexo de templos está localizado na Chhatikara Road, sendo fácil conseguir uma auto-rickshaw ou e-rickshaw de Vrindavan até sua localização.

 





As estátuas de Shiva e de Maa Vaishno são visíveis a certa distância. Os templos têm descrições das lilas em pinturas, autorelevos e textos nas paredes. Há uma caverna com representações em estátuas das nove formas de Durga do Navratri, jardins bem cuidados, com fontes d’água e bastante arborizados.

Há ainda o Ganga Ghat e o Yamuna Ghat, recantos dedicados a ambas expansões de Durga e Radha, respectivamente.

Na região da Nova Vrindavana, que está em pleno processo de expansão, há muitos condomínios sendo construídos. Há também o Priyakant Ji Mandir (a 850 m do Chaardham Mandir), instalado por Sri Devkinandan Thakurji Maharaj, em 2006. Além do grande projeto do complexo de templos e recantos devocionais, que vem sendo estabelecido pelo Movimento Hare Krishna de Vrindavan, em torno do Chandrodaya Mandir (a 1,5 Km do anterior). Este último prevê a construção da mais alta torre do mundo dedicada a Sri Krishna, que terá mais de 210 metros de altura.

domingo, 10 de agosto de 2025

Vrindavana Yatra

Depois de muitas estadias em Vrindavana, enquanto me preparo para o que será minha décima viagem para visitar lugares sagrados da Índia, organizo uma espécie de roteiro. Aqui disponibilizo algumas informações importantes sobre alguns de tais lugares a rever, pois sei que elas podem ajudar quem estiver indo pela primeira vez e/ou interessado em visitar a cidade de Radhe Shyam. Por serem muitos os recantos, templos e paisagens que merecem ser mencionados, optei por dividir o assunto em quatro postagens: i) Vrindavan parikrama; ii) o Yatra da Nova Vrindavan; iii) o Yatra da Antiga Vrindavan; iv) Braj Mandal Yatra (Barsan, Gokul, Mahavan, Nandgaon, Govardhana, Dauji, Mathura e outras localidades).

 

Parte I: Vrindavan parikrama

Com 12 Km de extensão, é a rota que circunda a cidade de Radhe Shyam, ao longo da qual se pode meditar na sagrada lila. Geralmente a caminhada começa na Parikrama Marg, na esquina do Templo de Krishna Balarama (da ISKCON) e se prolonga por 10 Km. Pode-se fazer o percurso em cerca de 3 horas de caminhada, o que depende do ritmo de cada um e das paradas que se façam ao longo do trajeto. Alguns pontos da caminhada com grande relevância espiritual são:

Kaliya Ghat (Kalideh ou Kaliya Daha) - local onde Krishna derrota Kaliya, conforme descrito no Bhagavata Purana 10.16-17, incluindo uma árvore Kadamba muito velha, certamente descendente daquela sobre a qual Madhava subiu para pular na água e subjugar a serpente.





Shri Radha Madan Mohan Mandir – bem próximo ao Kaliya Ghat, estabelecido por Sanatana Goswami, discípulo direto de Shri Krishna Caitanya e autor de livros importantes da Brahma Madhva Gaudiya Sampradaya, onde uma réplica de Madana Mohana (que está em Jaipur) foi estabelecida. É possível visitar ali também o Samadhi de Shri Sanatana Goswami; e a Dwadash Aditya Tila, para onde Krishna foi levado depois de ter subjugado Kaliya.


Imli Tala Mandir – o local onde Krishna senta-se para meditar no profundo sentimento de separação de Shri Radhe, quando Ela sai da dança da rasa, ao perceber que outras gopis também dançam com Ele simultaneamente (Bhagavata Purana 10.29-33). Aqui também, segundo a tradição da Brahma Madhva Gaudiya Sampradaya, se diz que Caytania sentava em busca da experiência do sentimento de Amor de Radha Krishna.



Shringar Ghat – local onde Krishna encontra Radha, escondida sobre uma árvore Banyan, depois de ter meditado na separação onde hoje existe o Imli Tala Mandir. Na entrada para o local, há uma deidade de Shri Bateshwar Mahadeva. Para ver algumas imagens, clique aqui.

 

Chira Ghat – onde Krishna rouba as roupas das gopis, de acordo com Bhagavata Purana 10.22, subindo em uma árvore Kadamba, cuja descendente existe ali até hoje, sendo imbuída da espiritualidade da mesma árvore sob a qual Ele sobe. Devido à mudança da configuração dos bancos do rio Yamuna, atualmente o Chira Ghat não está mais às suas margens. A árvore Kadamba recebe homenagens dos devotos, adoração e oferendas. Para ver algumas imagens, clique aqui. Na área, há uma rua com saída para o Banke Bihari Mandir.

 

Keshi Ghat – onde se pode presenciar, no alvorecer, o puja de Yamuna. O local relembra o passatempo de Krishna matando o demônio com forma de cavalo, Keshi, relatado no Bhagavata Purana 10.37. Pode-se visitar também o Yamuna Mandir e Mahadeva Mandir, situados no limite do Keshi Ghat com a rota do parikrama.



Outros momentos do parikrama envolvem: a entrada para Nidhivan, Shaji Mandir, Shri Radha Raman Mandir; a passagem pelo Tatiya Sthan (local de meditação de Lalit Kishori, seguidor de Swami Haridas); e a chegada no Atalla Chungi e na Caitanya Mahaprabhu Marg, além do contato com ashrams de diferentes gurus e templos (como o Jagannath Ghat Mandir). Alguns desses elementos do ambiente sagrado de Vrindavana serão mencionados novamente nas próximas postagens dessa sequência.


sábado, 24 de maio de 2025

Krishna Casa com 16.108 Esposas

 

Figura 1 - Dwarkadisha no Templo de Bhalka Tirth, Somnath, Gujarat.

É relatado que a princesa de Vidarbha, Rukmini, “tendo ouvido falar da beleza, das proezas, do caráter e das opulências de Mukunda, o considerou um Esposo adequado. Tendo Krishna ficado sabendo que Ela era um reservatório de inteligência, marcas auspiciosas, magnanimidade, beleza, bom comportamento e outras qualidades, também a considerou uma Esposa adequada e decidiu casar-se com a mesma (SB 10.52.23-24)[1]”.

No entanto, o irmão mais velho de Rukmini (Rukmi) odiava Krishna e fez todos os arranjos para casá-la com Sisupala (primo inimigo de Madhava). “A princesa de Vidarbha com seus olhos negros, estava infeliz com tal conhecimento. Condoendo-se mentalmente, com rapidez, Ela enviou um brahmana confiável a Krishna (SB 10.52.26)[2]”.

Este brahmana leva uma mensagem a Madhava, na qual Rukmini se oferece a Ele como esposa e pede-Lhe que a rapte antes que Seu casamento com Sisupala possa ser celebrado[3]. A Suprema Pessoa concorda e Seu modo de ação, assim como o lustre da beleza de Rukmini, entregando Sua beleza ao Senhor, são relatados no Srimad-Bhagavatam 10.52.51-55. Então, os exércitos liderados por Rukmi e ele próprio são vencidos. De modo que, “os cidadãos de Dvaraka ficaram arrebatados de felicidade em ver Krishna, o Mestre de todas as Opulências, unido em matrimônio com Rukmini, a Deusa da Fortuna (SB 10.54.60)[4]”.

Depois disso, tendo lutado por ininterruptos 28 dias com Jambavan, por causa da joia Syamantaka, o Senhor foi, enfim, reconhecido por este como sendo a Suprema Pessoa. Então, “ele (Jambavan) alegremente presenteou Krishna, em respeitosa oferenda, com sua filha donzela, Jambavati, junto com a joia (SB 10.56.32)[5]”.

Keshava volta à corte de Dwarka com sua nova esposa e restitui Syamantaka ao seu dono original, Satrajit. Este havia ofendido Krishna, acreditando que ele roubara sua joia, de modo que, com vergonha da ofensa que causara, decide oferecer sua filha Satyabhama como presente a Madhava.

“Satyabhama, que era desejada por muitos homens devido a suas qualidades de fino caráter, sua beleza e pela magnanimidade com a qual era abençoada, casou com o Senhor, de acordo com os costumes (SB 10.56.44)[6]”. Em outro momento, Krishna parte para Indraprastha, a fim de visitar seus primos Pandavas. Em uma de Suas incursões à floresta com Arjuna, eles encontram Kalindi[7], que diz estar engajada em penitência a fim de obter o Senhor Vishnu como Esposo.

“Não aceitarei nenhum outro esposo que não seja Ele, a residência de Shri. Que o Supremo Senhor Mukunda, o abrigo dos necessitados, fique satisfeito comigo” (SB 10.58.21)[8] – ela diz. Então, Krishna volta para Dvaraka e “Ele, que era tão meritório, casa com Kalindi, em um dia em que as estações, as estrelas e outros astros estavam bastante favoráveis a espalhar a maior alegria entre Seu povo (SB 10.58.29)[9]”.

Posteriormente, outra jovem, que se sentia atraída por Krishna, fora proibida por seus irmãos de escolhê-Lo como Esposo no seu svayamvara[10]. “Mitravinda, a filha de Rajadhidevi, a irmã do pai dEle, foi raptada a força por Krishna diante dos olhos dos reis (SB 10.58.31)[11]”.  Também Satya, a filha de Nagnajit, o desejava. Porém, este legislador havia prescrito que “nenhum rei iria casar com ela se não pudesse vencer sete incontroláveis, viciosos touros, os quais, com os chifres mais afiados, não toleravam o cheiro de guerreiros (SB 10.58.33)[12]”.

Shri Krishna sabendo de tudo isso, aproximou-se de Nagnajit e pediu-Lhe sua filha em casamento. O rei ascedeu, desde que Mukunda vencesse o desafio dos sete touros. “Ouvindo a condição, o Senhor apertou Suas vestimentas, se dividiu em sete e subjugou os touros como se participasse de um simples jogo (SB 10.58.45)[13]”. Ao presenciar o acontecido, “o rei, atônito e agradecido, deu a Krishna sua filha. O Senhor Supremo, o Mestre, a aceitou segundo às injunções védicas (SB 10.58.47)[14]”. Ademais, Keshava ainda casa com: Bhadra, uma princesa de Kaikeya e prima Sua, que Lhe é dada em casamento; Lakshmana, filha do rei de Madra, que rapta da cerimônia de svayamvara; e outras 16.100 jovens, as quais tinham sido aprisionadas pelo demônio Bhaumasura (SB 10.58.56-58).

 

Este texto é um trecho do livro Radha Krishna – o sol da união entre as chamas gêmeas (2018), de autoria de Shri Krishna Madhurya. Para ler mais alguns trechos do livro, clique aqui.

 



[1] sopaśrutya mukundasya
rūpa-vīrya-guṇa-śriyaḥ
gṛhāgatair gīyamānās
taṁ mene sadṛśaṁ patim

 

tāṁ buddhi-lakṣaṇaudārya-
rūpa-śīla-guṇāśrayām
kṛṣṇaś ca sadṛśīṁ bhāryāṁ
samudvoḍhuṁ mano dadhe

(Srimad Bhagavatam 10.52.23-24)

 

[2] tad avetyāsitāpāṅgī
vaidarbhī durmanā bhṛśam
vicintyāptaṁ dvijaṁ kañcit
kṛṣṇāya prāhiṇod drutam

(Srimad-Bhagavatam 10.52.26)

 

[3] Em Madhurya, a Rasa da Doçura (2015), relato: “Rukmini escreveu para Keshava (SB 10.52.39), tan me bhavān khalu vṛtaḥ patir aṅga jāyām ātmārpitaś ca bhavato ’tra vibho vidhehi: “Você foi eleito por mim para ser meu esposo, ó querido, e este (meu) corpo Lhe foi concedido. (Rogo,) Leve-me como sua esposa (da casa do meu pai)”. Para reforçar seus sentimentos, ela se coloca (SB 10.52.43), dizendo que, caso não receba a graça que pede, yarhy ambujākṣa na labheya bhavat-prasādaṁ jahyām asūn vrata-kṛśān śata-janmabhiḥ syāt: “deverei deixar minha vida, (já) definhada através de jejum, (a cada vez que eu renasça) na esperança que a graça seja assegurada (mesmo que) através de uma centena de nascimentos”.

 

[4] dvārakāyām abhūd rājan
mahā-modaḥ puraukasām
rukmiṇyā ramayopetaṁ
dṛṣṭvā kṛṣṇaṁ śriyaḥ patim

(Srimad Bhagavatam 10.54.60)

 

[5] ity uktaḥ svāṁ duhitaraṁ
kanyāṁ jāmbavatīṁ mudā
arhaṇārtham sa maṇinā
kṛṣṇāyopajahāra ha

(Srimad-Bhagavatam 10.56.32)

 

[6] tāṁ satyabhāmāṁ bhagavān
upayeme yathā-vidhi
bahubhir yācitāṁ śīla-
rūpaudārya-guṇānvitām

(Srimad-Bhagavatam 10.56.44)

 

[7] Kalindi é outro nome de Yamuna Devi. Em Bhakti-Rasa e o Caminho da Flor de Lótus (2016), dei expressão ao amor conjugal de Yamuna por Krishna, relatando: “Quanta impaciência supostamente me toma quando penso nEle que é o motivo de minha visão! Ainda me lamento porque O quero tocar e senti-Lo ao meu lado. Então, chamo por Seu doce nome, pensativa que estou, tomando-O por meu Senhor e meu Consorte. Shyama, Shyama...’. Yamuna parece agonizar, porém, seu lamento mistura-se com as vozes que ecoam da própria Vrindávana. É difícil estabelecer com clareza o que pertence a uma ou outra, afinal, ambas expressam o que Shri Radhe sente enquanto manifestação deste amor profundo que não a permite de Krishna esquecer por nenhum momento”. Também expus a relação que há entre o amor de Radha por Krishna e o de Yamuna pelo mesmo objeto de adoração. Pois, “Radha muitas vezes pensou: ‘Como posso continuar sendo o que não me dá paz? Como posso continuar vivendo sem o que me faz viver? Como posso estar sem Krishna em um mundo onde eu existo apenas para com Ele estar?’. Seus pensamentos turbulentos de amor pela Fonte de todo Amor estimulam-na eternamente a buscá-Lo e em Suas veias corre um fluído da cor de Shyam. Da expressão deste fluir é que Yamuna Devi faz-se existir, manifestando em si o ardor que está em Shri Radhe”.

 

[8] nānyaṁ patiṁ vṛṇe vīra
tam ṛte śrī-niketanam
tuṣyatāṁ me sa bhagavān
mukundo ’nātha-saṁśrayaḥ

(Srimad-Bhagavatam 10.58.21)

 

[9] athopayeme kālindīṁ
su-puṇya-rtv-ṛkṣa ūrjite
vitanvan paramānandaṁ
svānāṁ parama-maṅgalaḥ

(Srimad-Bhagavatam 10.58.29)

 

[10] Svayamvara era um direito assegurado às jovens em idade de contrair casamento. Tratava-se de uma cerimônia, onde noivos em potencial se apresentavam perante a corte e a jovem podia escolher com quem casaria.

 

[11] rājādhidevyās tanayāṁ
mitravindāṁ pitṛ-ṣvasuḥ
prasahya hṛtavān kṛṣṇo
rājan rājñāṁ prapaśyatām

(Srimad-Bhagavatam 10.58.31)

 

[12]na tāṁ śekur nṛpā voḍhum
 ajitvā sapta-go-vṛṣān
tīkṣṇa-śṛṅgān su-durdharṣān
 vīrya-gandhāsahān khalān

(Srimad-Bhagavatam 10.58.33)

 

[13] evaṁ samayam ākarṇya
baddhvā parikaraṁ prabhuḥ
ātmānaṁ saptadhā kṛtvā
nyagṛhṇāl līlayaiva tān

(Srimad-Bhagavatam 10.58.45)

 

[14] tataḥ prītaḥ sutāṁ rājā
dadau kṛṣṇāya vismitaḥ
tāṁ pratyagṛhṇād bhagavān
vidhi-vat sadṛśīṁ prabhuḥ

(Srimad-Bhagavatam 10.58.47)

 

Apresentação Geral

Madhurya é a vida se expressando como fluência amorosa, doce e linda. ...