sábado, 11 de julho de 2026

Apresentação Geral





Madhurya é a vida se expressando como fluência amorosa, doce e linda. Ela é como a beleza da flor que exala a fragrância perfeita; e a paisagem mais bela que se possa conceber.


Trata-se de um jeito de estar em todos os mundos em que Krishna esteja ao mesmo tempo, pois transcende as fronteiras deles.

Desde que haja Krishna, então há tudo o que é preciso para existir tal bhava. Ele é o eixo da existência e o centro das atenções na doçura do amor. É o amado eterno e Senhor de tudo o que se possa pensar, sentir e ver.

Madhurya faz o mundo girar em torno dEle, sendo Ele a Fonte e também o Fim do que se quer para sempre ser.

Quem descobre-se amando à Pessoa de Deus assim, já não poderá mais conter o sentimento que exaure todos os sentidos, quando eles só pretendem servir ao Amor que por Madhava se sente.


Que amor é este, então?

Um amor assim tão grande, que nada pode vencer, é a verdadeira experiência de vida. Ele é puro, isento de máculas. Perfeito e intenso, este amor é a vitória maior a se conquistar.

Quem o desconhece não tem como atinar para o seu significado. Mas, ao vivenciá-lo, nada mais há que se desejar, exceto a Krishna se entregar.

Este amor está nas escrituras mais sagradas, as quais descrevem o que as gopis sentem pelo seu Amado. É este sentimento que as esposas de Shri Hari expressam, quando absortas nEle

"permaneciam sem fala alguns instantes”, para então, repentinamente “irromperem em palavras incoerentes de modo semelhante a lunáticas. Na intensidade do seu amor, elas (de tempos em tempos, experimentavam dor excruciante de separação do seu Senhor, mesmo na Sua presença e) paravam com suas falas delirantes (Srimad-Bhagavatam 10.90.14)”.

Só quem experimenta de madhurya-rasa sabe exatamente do que se trata tal excruciante dor que as esposas sentem ao pensarem em se separar de Krishna.

Afinal, o amor conjugal pelo Senhor da vida (Deus) transcende qualquer limite. Logo, não existem limitações ao desejo de se querer estar ao lado dEle; o que acontece por ser a Pessoa Suprema que pensa estar relacionando-se com quem percebe-se relacionar-se desta maneira com Ele.

Krishna não pode ser circunscrito por nenhum tipo de fronteira, mesmo que seja do pensamento. Sendo a Absoluta Personalidade, Ele é o infinito e Suas relações transbordam perfeição e beleza.

Quem tem este tipo de experiência, no bhava de Madhurya, vive em uma condição que é também infinita. Sendo tal vivência tão perfeita, pura, doce, delicada e intensa, a contraparte de Shri Hari se deixa levar por este imenso “buraco negro” que Ele é (do qual é impossível escapar).



Os textos e poesias deste blog foram redigidos por Shri Krishna Madhurya, como expressão do seu amor conjugal por Krishna. Conheça também https://shankarayanamah.blogspot.com/ e https://jardinsdekrishna.com.  

A Ciência de Rasa Tattva

 


Tattva é uma palavra que significa princípio e existem muitos Tattvas na Ciência de Deus. Está-se comentando aqui um deles, que é Rasa-Tattva, o qual, na verdade, é um princípio que contém muitos outros. Pode-se, portanto, usar o termo no singular, se referindo ao princípio do Amor Divino, ou no plural, porque tem muitos princípios dentro de Rasa-Tattva. Então, é um princípio que não é meramente racional e que a mente racional não consegue entender, ele é transcendental.

A palavra Rasa se refere ao conjunto de sensações dentro de uma relação transcendental com Deus, sendo Rasa-Tattva o princípio que rege essa relação transcendental com o Senhor. Dentre todos os princípios, Krishna coloca Rasa como a mais fundamental, porque trata da nossa relação com Ele.

Existe também o termo Bhakti-Rasa, o que é Serviço Devocional, sendo que Rasa existe na relação com Deus. Bhakti-Rasa é a relação que se desenvolve no seu Serviço Devocional, ou vice versa, o Serviço Devocional você desenvolve de acordo com a Rasa que você tem com Ele. Bhakti-Rasa ocorre em consciência pura, quando você está na sua consciência mais pura, e você se devota plenamente a Ele. Quando você O Ama conscientemente e com Ele reciproca desse Amor, realmente consegue experimentar Bhakti-Rasa, que é o Serviço Devocional puro, sem máculas de nenhum tipo.

Shri Krishna coloca então que Rasa-Tattva “pode ser comparado ao nascer da Lua, porque aclara a escuridão que a noite da alma faz estabelecer, e sua radiância é o que Eu realizo enquanto me ofereço para que haja a intensa relação que Me faz ater por quem por tal fundamento se deixa esclarecer”. Por isso faz-se uma comparação com a luz da lua. Estando a alma obscurecida, ela não consegue travar esses contatos eternos com Deus. Rasa-Tattva é, então, a Luz da Lua que ilumina a noite escura.

A irradiância desta Lua é o que o próprio Shri Krisnha está realizando ao se oferecer para reciprocar com cada um de nós. Se você está reciprocando com Ele uma relação, e você está compreendendo esse Princípio, é porque o mesmo vem sendo irradiado da própria Fonte, que é Deus. Porque o Senhor realiza isso, por meio do Seu eterno pensar/existir Absoluto, Ele irradia tal Luz, que é percebida pelo devoto - a Luz de Rasa Tattva.

Rasa é um princípio pré-determinado, o qual é conhecido em detalhes pela alma que realiza sua condição existencial junto de Keshava, enquanto Sua associada transcendental. Isso o Senhor complementa, dizendo que “Bhakti-rasa é obtida quando a consciência se purifica de outras tendências que não sejam apenas Me amar e Comigo reciprocar de mútuas considerações; e ela está no Serviço que o devoto realiza enquanto pretende se purificar de tudo o mais que não seja apenas a tal relação se entregar”. A auto-entrega a uma relação, a qual se caracteriza por determinada rasa, se expressa de acordo com determinado sthayibhava.

Cada pessoa tem um sthayibhava, o qual na verdade só aparece quando você começa a se interessar por Deus. Se você não tem interesse nenhum por Deus, o seu sthayibhava é nulo.  O sthayibhava reflete seu apego por Deus. Aqui mais especificamente está se abordando o apego por Krishna, pois, neste texto, Deus se mostra para nós através deste nome e desta forma (ou de outro nome ou outra forma, como Shiva).  Dentro disso, o sthayibhava é também o primeiro sintoma que desperta quando você começa a se voltar para essa relação, que é uma relação eterna que você tem com Ele.

Tal sintoma qualifica a sua relação com a Fonte da sua alma. Isso significa que um apego é diferente do outro. A relação da autora do presente artigo, como se sabe, é em madhurya-rasa, e o seu apego por Krishna é conjugal. Assim o sthayibhava da autora reflete a madhurya (atração conjugal) para com Krishna (e/ou Shiva). Acontece o mesmo na vida individual das pessoas do mundo material. Por exemplo, quando alguém tem um marido e uma filha, o apego de tal pessoa pelo marido é diferente do apego da mesma pela filha. De tal mecanismo resulta o sthayibhava.

O sthayibhava é a primeira coisa que começa a surgir, às vezes muito leve e sutil, quando, iluminado por Rasa-Tattva, você volta a interagir com a Pessoa de Deus na eterna morada. Ele surge como um sentimento e um humor de apego recíprocos, que é bem específico à sua relação eterna com Deus. Quando alguém volta a ter acesso a Ele, através da Presença Eu Sou ou por ascensão espiritual, significa que esta pessoa retomou o sthayibhava característico à sua relação.

Voltar a se relacionar com o Senhor e a ter ao menos lapsos da consciência da alma original, fazendo uso de uma terminologia da Nova Era, depende do processo de ascensão espiritual. Tal ascensionamento da consciência permite que o apego a Deus se revele, o qual é chamado rati. Rati é o apego em si, de modo que qualquer apego pode ser assim denominado. Mas, se o apego é por Krishna (ou pela Pessoa de Deus, em alguma de Suas formas), dentro de uma relação transcendental com Ele, este apego expressa-se em sthayibhava.

Rati aparece, esse apego se revela e vem demonstrando sentimentos que realmente você tem. Tais sentimentos são expressão de uma reciprocidade com Krishna, exatamente porque é Ele que lhe faz relembrar dessa relação. É Ele que faz você relembrar, que toma você de volta. Mas, trata-se de um processo recíproco, pois, devido ao seu esforço em buscar pelo Senhor, quando começa a ascencionar, você retoma o acesso a Ele.

Entenda-se, portanto, que é Ele que lhe dá o acesso. Na verdade, este acesso é uma expressão da reciprocidade da alma com Deus, que é eterna, e que está se manifestando através de um novo contato que a pessoa está fazendo com Ele. O novo contato revela rati, apego pelo Senhor. Mas, o apego que você já tem, quando você já sabe quem você é ao lado de Krishna, deve ser chamado sthayibhava, que é específico a cada relação com Ele.




Apresentação Geral

Madhurya é a vida se expressando como fluência amorosa, doce e linda. ...