sábado, 11 de julho de 2026
Apresentação Geral
A Ciência de Rasa Tattva
Tattva é uma palavra que significa
princípio e existem muitos Tattvas na Ciência de Deus. Está-se comentando aqui
um deles, que é Rasa-Tattva, o qual, na verdade, é um princípio que contém
muitos outros. Pode-se, portanto, usar o termo no singular, se referindo ao
princípio do Amor Divino, ou no plural, porque tem muitos princípios dentro de
Rasa-Tattva. Então, é um princípio que não é meramente racional e que a mente racional
não consegue entender, ele é transcendental.
A palavra Rasa se refere ao conjunto
de sensações dentro de uma relação transcendental com Deus, sendo Rasa-Tattva o
princípio que rege essa relação transcendental com o Senhor. Dentre todos os
princípios, Krishna coloca Rasa como a mais fundamental, porque trata da nossa
relação com Ele.
Existe também o termo Bhakti-Rasa, o
que é Serviço Devocional, sendo que Rasa existe na relação com Deus.
Bhakti-Rasa é a relação que se desenvolve no seu Serviço Devocional, ou vice
versa, o Serviço Devocional você desenvolve de acordo com a Rasa que você tem
com Ele. Bhakti-Rasa ocorre em consciência pura, quando você está na sua
consciência mais pura, e você se devota plenamente a Ele. Quando você O Ama
conscientemente e com Ele reciproca desse Amor, realmente consegue experimentar
Bhakti-Rasa, que é o Serviço Devocional puro, sem máculas de nenhum tipo.
Shri Krishna coloca então que
Rasa-Tattva “pode ser comparado ao nascer da Lua, porque aclara a escuridão que
a noite da alma faz estabelecer, e sua radiância é o que Eu realizo enquanto me
ofereço para que haja a intensa relação que Me faz ater por quem por tal
fundamento se deixa esclarecer”. Por isso faz-se uma comparação com a luz da lua.
Estando a alma obscurecida, ela não consegue travar esses contatos eternos com
Deus. Rasa-Tattva é, então, a Luz da Lua que ilumina a noite escura.
A irradiância desta Lua é o que o
próprio Shri Krisnha está realizando ao se oferecer para reciprocar com cada um
de nós. Se você está reciprocando com Ele uma relação, e você está
compreendendo esse Princípio, é porque o mesmo vem sendo irradiado da própria
Fonte, que é Deus. Porque o Senhor realiza isso, por meio do Seu eterno
pensar/existir Absoluto, Ele irradia tal Luz, que é percebida pelo devoto - a
Luz de Rasa Tattva.
Rasa é um princípio pré-determinado, o
qual é conhecido em detalhes pela alma que realiza sua condição existencial
junto de Keshava, enquanto Sua associada transcendental. Isso o Senhor
complementa, dizendo que “Bhakti-rasa
é obtida quando a consciência se purifica de outras tendências que não sejam
apenas Me amar e Comigo reciprocar de mútuas considerações; e ela está no
Serviço que o devoto realiza enquanto pretende se purificar de tudo o mais que
não seja apenas a tal relação se entregar”. A auto-entrega a uma relação, a
qual se caracteriza por determinada rasa, se expressa de acordo com determinado
sthayibhava.
Cada pessoa tem um sthayibhava, o
qual na verdade só aparece quando você começa a se interessar por Deus. Se você
não tem interesse nenhum por Deus, o seu sthayibhava é nulo. O sthayibhava reflete seu apego por Deus.
Aqui mais especificamente está se abordando o apego por Krishna, pois, neste
texto, Deus se mostra para nós através deste nome e desta forma (ou de outro
nome ou outra forma, como Shiva). Dentro
disso, o sthayibhava é também o primeiro sintoma que desperta quando você
começa a se voltar para essa relação, que é uma relação eterna que você tem com
Ele.
Tal sintoma qualifica a sua relação
com a Fonte da sua alma. Isso significa que um apego é diferente do outro. A
relação da autora do presente artigo, como se sabe, é em madhurya-rasa, e o seu
apego por Krishna é conjugal. Assim o sthayibhava da autora reflete a madhurya
(atração conjugal) para com Krishna (e/ou Shiva). Acontece o mesmo na vida
individual das pessoas do mundo material. Por exemplo, quando alguém tem um
marido e uma filha, o apego de tal pessoa pelo marido é diferente do apego da
mesma pela filha. De tal mecanismo resulta o sthayibhava.
O sthayibhava é a primeira coisa que
começa a surgir, às vezes muito leve e sutil, quando, iluminado por Rasa-Tattva,
você volta a interagir com a Pessoa de Deus na eterna morada. Ele surge como um
sentimento e um humor de apego recíprocos, que é bem específico à sua relação
eterna com Deus. Quando alguém volta a ter acesso a Ele, através da Presença Eu
Sou ou por ascensão espiritual, significa que esta pessoa retomou o sthayibhava
característico à sua relação.
Voltar a se relacionar com o Senhor e
a ter ao menos lapsos da consciência da alma original, fazendo uso de uma
terminologia da Nova Era, depende do processo de ascensão espiritual. Tal
ascensionamento da consciência permite que o apego a Deus se revele, o qual é
chamado rati. Rati é o apego em si, de modo que qualquer apego pode ser assim
denominado. Mas, se o apego é por Krishna (ou pela Pessoa de Deus, em alguma de
Suas formas), dentro de uma relação transcendental com Ele, este apego
expressa-se em sthayibhava.
Rati aparece, esse apego se revela e
vem demonstrando sentimentos que realmente você tem. Tais sentimentos são expressão
de uma reciprocidade com Krishna, exatamente porque é Ele que lhe faz relembrar
dessa relação. É Ele que faz você relembrar, que toma você de volta. Mas,
trata-se de um processo recíproco, pois, devido ao seu esforço em buscar pelo
Senhor, quando começa a ascencionar, você retoma o acesso a Ele.
Entenda-se, portanto, que é Ele que lhe
dá o acesso. Na verdade, este acesso é uma expressão da reciprocidade da alma
com Deus, que é eterna, e que está se manifestando através de um novo contato
que a pessoa está fazendo com Ele. O novo contato revela rati, apego pelo
Senhor. Mas, o apego que você já tem, quando você já sabe quem você é ao lado
de Krishna, deve ser chamado sthayibhava, que é específico a cada relação com
Ele.
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